O reconhecimento do cante alentejano como Património Cultural Imaterial da Humanidade representa um «marco histórico na vida dos grupos corais» e cria uma «enorme responsabilidade» que deve envolver «todas as entidades», considerou hoje a associação Moda.

A decisão da UNESCO «engrandece e orgulha a comunidade do cante e constitui um marco histórico na vida dos grupos corais e dos cantadores, que são por excelência os fiéis detentores e transmissores deste património», afirmou hoje a Associação do Cante Alentejano (Moda), à agência Lusa.

A Moda, apelou ainda à implementação de «novas» medidas que contribuam para a «dignificação, renovação dos grupos e transmissão da tradição oral fortemente enraizada nas gentes do sul do país e na diáspora alentejana».

Ceia da Silva, presidente do Turismo do Alentejo e Ribatejo, também um promotor da candidatura a Património da Humanidade, considerou «uma enorme vitória não só para o Alentejo, mas também para Portugal» a classificação do cante alentejano.

Constitui «uma homenagem ao caráter, à alma e à essência da cultura alentejana», acrescentou.

O presidente da Câmara de Serpa, que também promoveu a candidatura, já manifestou a sua «enorme satisfação» com a distinção do cante alentejano, considerando que poderá favorecer «um futuro ainda mais risonho» para o cantar típico do Alentejo.

Também o presidente da Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo e da Câmara de Beja se mostrou satisfeito com a classificação, sublinhando que «traz uma grande responsabilidade» na salvaguarda daquela tradição.

João Rocha, antigo presidente da Câmara de Serpa, referiu ainda que «no fundo, é também o reconhecimento da importância da identidade cultural alentejana, porque o cante expressa a alma do Alentejo e das suas gentes, que é posta em cada moda».

Para celebrar o reconhecimento, os alunos da Escola Mário Beirão prestaram uma pequena homenagem ao Cante Alentejano.


O responsável pelo Grupo Coral e Etnográfico de Grândola manifestou-se «honrado», mas pediu apoios para «manter viva a chama» dos grupos, alertando para a falta de meios dos grupos.

Passaram exatamente três anos desde que foi atribuída a mesma distinção ao fado numa reunião na Indonésia. Foram seus embaixadores Mariza e Carlos do Carmo, que há uma semana recebeu um Grammy Latino de Carreira, uma escolha de Pedro Santana Lopes, quando estava à frente dos destinos da capital, e que iniciou o processo.

Para a Associação Portuguesa dos Amigos do Fado (APAF), a celebrar 20 anos de existência, «o galardão chamou a atenção para uma área ainda hoje deficitária, a da investigação, do estudo e de um melhor conhecimento da história e das características».

O músico português, António Zambujo, também já reagiu à nomeação nas redes sociais, congratulando o cante alentejano.