O Ministro da Administração Interna afirmou esta segunda-feira, na Lourinhã, que o Governo quer recuperar o desinvestimento nos postos da GNR e esquadras da PSP nos últimos 40 anos, reconhecendo que tem criado dificuldades ao exercício das forças de segurança.

Explicando que não há fundos comunitários para a construção ou reabilitação de postos da GNR ou esquadras da PSP, Miguel Macedo reconheceu que «o setor foi acumulando um desinvestimento ao longo de quatro décadas que resultou em muitas dificuldades para o exercício da atividade das forças de segurança».

Uma tendência que o Governo tem vindo a contrariar, segundo o governante, canalizando os fundos disponíveis no Ministério para esses investimentos, motivo pelo qual estão em curso obras de construção de 50 novas instalações, o que, para Miguel Macedo, «não é muita obra face às necessidades existentes».

Para o governante, a aposta em melhores instalações «é um incentivo forte para a missão das forças de segurança».

O Ministro da Administração Interna inaugurou hoje o Posto da GNR da Lourinhã, um investimento de mais de 1,3 milhões de euros, com o objetivo de melhorar as condições de trabalho dos militares e de acolhimento dos cidadãos.

O comandante-geral da GNR, tenente-general Luís Manuel Newton Pereira, disse à agência Lusa que as antigas instalações «estavam degradadas e tinham infiltrações» e, além disso, «eram pouco espaçosas», sem terem condições para os militares «ouvirem ou inquirirem os cidadãos».

O antigo posto da GNR resultou da adaptação de uma antiga prisão e era exíguo, não tendo celas para os detidos e obrigando os militares a atender os cidadãos na sala de espera, que servia também de entrada nas instalações.

O novo posto está dimensionado para 43 militares, deveria ter pelo menos 38 efetivos, mas tem apenas 31.

O posto da Lourinhã serve quase 26 mil habitantes, número que aumenta durante o verão, por ter praias que atraem muitos turistas.

Confrontado pela Lusa com este facto, o comandante-geral da GNR admitiu que «há falta de efetivos», mas que o problema é geral a todo o país, pois «a GNR devia ter 26 mil efetivos e tem 21 mil».

O mesmo responsável adiantou que estão a ser formados 400 novos militares, que deverão ser colocados em agosto, altura em que, admitiu, o posto da Lourinhã deverá ser reforçado, sem especificar o número de militares que vai receber.