O presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP), Manuel Lemos, exortou o ministro da Saúde a ser implacável para com os lobbies e os interesses que disse existirem no ministério de Paulo Macedo.

Manuel Lemos, que falava em Fátima na cerimónia de inauguração de uma unidade de cuidados continuados para pessoas com demência, disse, sem identificar os destinatários da acusação, que no ministério da Saúde estão «os lobbies, os interesses, e, sobretudo, os que se habituaram a estar, quentinhos, a quem tudo serve, menos mudar».

«À espera que o tempo passe e que o ministro vá embora. Sobretudo para esses, seja implacável e, como São Lucas, exija-lhes que os que governam se comportem como os que servem», frisou, dirigindo-se a Paulo Macedo.

A alusão aos alegados interesses instalados no ministério da Saúde surgiu após uma referência ao recente Decreto-Lei, publicado em outubro, que devolveu às Misericórdias a gestão de unidades hospitalares que tinham sido nacionalizadas.

Manuel Lemos considerou o Decreto-Lei «um documento histórico» que volta a congregar as Misericórdias «para a cooperação, em matéria de saúde».

«Nós sabemos, senhor ministro, que não foi fácil. Mas também rapidamente percebemos que a regra do seu jogo era igual à nossa, desconfiança à partida, clareza, seriedade, rigor e competência nos processos», afirmou Manuel Lemos.

«Como também sabemos que, infelizmente, não basta um Decreto para mudar mentalidades, até porque ideologia no Ministério da Saúde é como a filoxera para os mortórios [socalcos abandonados por ação daquela praga] do Douro. Está lá», referiu.

No final da sessão, questionado pelos jornalistas sobre a quem se referia no discurso, Manuel Lemos referiu, apenas: «Vocês sabem do que é que eu estou a falar».

Paulo Macedo, questionado pela agência Lusa se anda a combater interesses instalados no ministério da Saúde e quais, negou que assim seja.

«Não, eu só combato mesmo é os números, para mim a filoxera é a dos números. Os números tendem, de facto, a tentar condicionar fortemente as nossas iniciativas e prioridades que temos», frisou.

No entanto, segundo o ministro, a área de cuidados continuados «é um exemplo claro» de um setor onde a tutela está a investir e vai continuar a investir, apesar da atual situação de emergência nacional «de forte contenção e mesmo de restrição no orçamento da Saúde».