O diretor-geral da Saúde, Francisco George, garantiu hoje, em Mirandela, que o risco de consumir produtos regionais transmontanos como as alheiras “é zero”.

Francisco George falava em Mirandela, onde se deslocou a convite dos presidentes de Câmara do distrito de Bragança, para esclarecer a polémica com os cinco casos de botulismo alimentar associados a alheiras de uma marca comercial e que está a causar impacto negativo nos produtos certificados regionais de Trás-os-Montes.

Num almoço com os presidentes de câmara e agentes económicos ligados ao setor, o diretor-geral de Saúde fez questão de degustar alheira de Mirandela.
 

“Não é uma iniciativa de propaganda, estou aqui para garantir, em termos de Saúde Publica que o risco de consumir esses alimentos, no que respeita ao botulismo, é zero”, afirmou o diretor-geral da Saúde, acrescentando que o problema que desencadeou esta situação “foi controlado”.


Francisco George sublinhou que “não há mais risco no que respeita ao consumo de produtos” desta natureza e “mesmo daquela marca” - referindo-se à “Origem Transmontana” - “a não ser que alguém tenha conservado no congelador” os produtos comercializados pela empresa que esteve na origem da contaminação.

O diretor-geral crê, no entanto, que “de tal maneira isto foi anunciado, que esse problema foi controlado”.

O responsável indicou ainda que participou neste ato público com dados concretos baseados nas análises que têm sido feitas no laboratório do Instituto Ricardo Jorge e na colaboração dos serviços da ASAE (Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica) neste processo.
 

“Estou aqui sobretudo para insistir nesta diferença: “há uma marca que teve um problema que agora já não tem e outras marcas que não tiveram problema nenhum. Portanto, quem consumir estes produtos tem risco zero, o risco é zero”


O diretor-geral da Saúde ressalvou que esta posição pública “não é comparável a outras ações feitas por políticas no passado, que fizeram exibições mais aparatosas”, numa referência ao ministro que comeu mioleira em público no auge da polémica com a doença das “vacas loucas”.

O caso foi desencadeado a 26 de setembro, quando as autoridades confirmaram casos de botulismo alimentar ligados ao consumo de alheiras de uma empresa de Bragança, comercializadas com a marca “Origem Transmontana”.

Os produtos foram retirados do mercado, mas a desconfiança instalou-se junto dos consumidores relativamente a os enchidos em geral desta região.

O presidente da Câmara de Mirandela, António Branco, expressou hoje satisfação com a posição pública do diretor-geral da Saúde por vir ao encontro do que têm reclamado das autoridades nacionais: a afirmação de que não há risco no consumo dos produtos regionais.

“Acho que é importante que haja aqui um encerramento desta questão”, declarou.

O autarca deu conta “das grandes perdas” registadas com esta polémica, com “muitas encomendas suspensas” e reduções “que rondaram os 70 por cento”.

“Uma fábrica que produzia 10 toneladas por dia, durante uma semana chegou a vender duas toneladas de alheira”, exemplificou, alertando que esta situação “parou as fábricas, a atividade e o problema é a reposição ao nível que elas estavam antes desta questão”.

O setor assegura 600 postos de trabalho só em Mirandela, afetados por esta polémica, segundo o autarca, que manifestou preocupação com a época alta da alheira e do fumeiro, que é o inverno.

A fileira da alheira movimenta só no concelho de Mirandela 30 milhões de euros por ano.