O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) disse que o bombeiro que morreu em Miranda do Douro é «o exemplo» dos homens e mulheres que dão a própria vida para salvar os bens da sua pátria.

«Estes homens e mulheres levam ao extremo a sua missão, que depois poderá ser paga com a sua própria vida», frisou Jaime Soares nesta terça-feira no funeral de António Nuno Ferreira, bombeiro que morreu neste fim de semana.

O comandante dos bombeiros de Miranda do Douro disse que os portugueses e o Governo têm de olhar para os bombeiros voluntários com outros olhos. «Tudo isto se torna mais complicado porque temos um outro homem no hospital da Prelada em estado muito reservado», lembrou Luís Martins.

O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, marcou também presença no funeral do bombeiro que morreu na madrugada de domingo, na sequência de queimaduras graves sofridas no combate ao fogo, em Cicouro, no concelho Miranda do Douro.

António Nuno Ferreira, operador de central no quartel dos bombeiros de Miranda do Douro de 1998, era casado e deixa uma filha com 16 anos de idade. O bombeiro era natural de São Martinho de Angueira, uma aldeia próximo do local do incêndio.

O bombeiro apresentava um quadro clínico «muito grave», com disfunção cardiopulmonar, não tendo resistido à gravidade das queimaduras.

Segundo o Hospital da Prelada, no Porto, o estado de saúde dos dois bombeiros de Miranda do Douro ainda internados na Unidade de Queimados, de 25 e 32 anos, não sofreu evolução.

A unidade hospitalar refere que o bombeiro de 25 anos mantinha hoje uma situação clínica «muito grave» e um prognóstico «muito reservado».

O estado do bombeiro de 32 anos, transferido na sexta-feira à tarde do Hospital de Bragança para a Prelada, continuava a evoluir «favoravelmente« e o seu prognóstico é «favorável».

Os bombeiros ficaram feridos na quinta-feira, num incêndio em Miranda do Douro, que provocou ferimentos ligeiros a mais três elementos.

Os membros da corporação foram surpreendidos numa mudança brusca de vento e ficaram encurralados no meio do fogo, entre Cicouro e São Martinho de Angueira, junto à fronteira com Espanha, contou à agência Lusa o comandante Luís Martins.

As chamas destruíram também o veículo do dispositivo de combate a incêndios em que os bombeiros se deslocavam.