O Ministério Público pediu esta sexta-feira, no Tribunal de Coimbra, uma pena de prisão de 21 a 23 anos para um empresário de Aveiro acusado de matar o companheiro da ex-mulher e de também tentar matar esta, em Mira.

O empresário de 68 anos, que vivia na freguesia de Esgueira, concelho de Aveiro, é acusado pelo Ministério Público de crime de homicídio qualificado na forma consumada, crime de homicídio qualificado na forma tentada e crime de detenção de arma proibida.

Durante as alegações finais, o Ministério Público (MP) pediu entre 21 a 23 anos de pena para o arguido, considerando que «não há quaisquer dúvidas» sobre a prática dos legados crimes, referindo que a investigação e os exames periciais «acabam por confirmar os factos já visionados no filme das câmaras de vigilância».

A procuradora do MP sublinhou que no dia do crime, 18 de agosto de 2013, «o arguido foi abordado pelas autoridades [GNR] e teve oportunidade de decidir não executar» as práticas de que é acusado, revelando «frieza de ânimo».

Segundo o arguido, este deslocou-se à casa da ex-mulher e do companheiro da ex-mulher a 18 de agosto de 2013 para resolver problemas relacionados com os seus bens, que estavam em nome da mulher da qual se separou em 2009.

Segundo o MP, o acusado não conseguiu atingir a sua antiga esposa «pelo movimento do carro» aquando do primeiro disparo, quando estes chegavam a casa, e que disparou «à queima-roupa e a curta distância» contra o companheiro da ex-mulher, num segundo momento.

A defesa do empresário afirmou que as imagens das câmaras de vigilância não «mostram todos os momentos», conseguindo-se «perceber como os factos se iniciam, mas o decurso dos factos não é dado de forma integral», referindo-se ao momento em que alegadamente o acusado disparou contra o companheiro da ex-mulher.

«O puzzle nunca ficou completo», frisou, referindo que se prova que o acusado entra em casa da ex-mulher, quando esta chega de carro a casa, e que efetua um disparo, «mas não se vê uma clara intenção de matar» a antiga esposa.

Segundo a advogada de defesa, o arguido «mostrou arrependimento» e que «tomou consciência de que fez algo de errado», frisando que, após os acontecimentos, este «tentou pôr termo à vida».

A defesa pediu que, quanto ao homicídio qualificado na forma tentada, este seja desqualificado para «ofensa à integridade física grave», e que o homicídio qualificado na forma consumada seja desqualificado para «homicídio na forma simples», como reporta a Lusa.

A leitura da sentença ficou marcada para 13 de janeiro.