Os incêndios de dia 15 provocaram prejuízos superiores a 32 milhões de euros em unidades industriais e agrícolas de Mira e puseram em risco 340 postos de trabalho, revelou hoje o presidente desta autarquia.

Em declarações à agência Lusa, Raul Almeida disse tratar-se de "uma primeira estimativa", feita com base num levantamento realizado pelos serviços municipais, mas preveniu que os números ainda podem subir porque continuam a chegar à autarquia relatos de estragos em diversos pontos do concelho.

"Os casos mais graves ocorreram na zona industrial, mas houve também muita destruição em explorações agrícolas e em unidades isoladas", explica Raul Almeida, que na quinta-feira servirá de guia ao ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, que irá visitar o Polo I da Zona Industrial, onde arderam sete empresas.

A visita do ministro da Economia será a primeira de um membro do Governo a Mira depois dos incêndios que atingiram 70 por cento do concelho, que tem uma área de 120 quilómetros quadrados. O autarca não quer avançar com as suas expectativas em relação à deslocação do ministro, mas não esconde algum desconforto em relação à Administração Central.

Na sua tomada de posse, que ocorreu uma semana depois dos incêndios, Raul Almeida elogiou o trabalho dos bombeiros e da população, mas reservou palavras amargas para o poder central.

"Não obstante entidades regionais reconhecerem que somos um dos concelhos mais afetados da região, até ao momento não houve da parte de qualquer membro do Governo de Portugal nem uma simples chamada telefónica a perguntar o ponto desta situação calamitosa. Merecemos respeito e exigimos apoios. Somos filhos deste nobre país que se chama Portugal que deve respeitar todos os seus filhos e não apenas alguns", disse Raul Almeida.

Segundo o levantamento feito pelos serviços do município, o incêndio "consumiu uma vasta área do concelho de Mira, percorreu todo o território municipal (cerca de 70%) e afetou o perímetro florestal, zonas urbanas e industriais".

Nas áreas urbanas, ainda segundo os serviços da autarquia, "há a registar a perda de imenso património, nomeadamente casas devolutas e também de primeira habitação, existindo 12 famílias desalojadas que se encontram a ser apoiadas pelos serviços sociais locais e distritais".