O ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, anunciou esta quinta-feira que os cursos de Comandos do Exército vão ficar suspensos até ao final do inquérito à morte de um militar no domingo, disse à Lusa fonte do ministério.

Azeredo Lopes adiantou em declarações à RTP, que foi aberto um terceiro inquérito “técnico especial sobre a forma como é dada a formação e treinos aos comandos".

Em articulação com o Chefe Maior do Estado do Exército foi determinado um inquérito específico e até à sua conclusão estão suspensos os cursos de Comandos. Não resulta, por ora, na extinção dos cursos de Comandos, mas sim na suspensão dos mesmos até saber as condições gerais em que decorre a formação”, disse Azeredo Lopes.

Azeredo Lopes tinha já tinha admitido à Lusa a possibilidade de intervir após a conclusão das duas investigações que decorrem à morte de um militar num curso de Comandos.

O ministro da Defesa esclareceu ainda que o curso não é extinto mas sim suspenso “até se conhecer não propriamente o que aconteceu no dia em que ocorreu uma morte e pessoas feridas, mas as condições gerais em como está a ser feito o treino e a formação”.

Azeredo Lopes tinha já admitido à Lusa a possibilidade de intervir após a conclusão das duas investigações que decorrem à morte de um militar num curso de Comandos.

Além do inquérito instaurado pelo chefe do Estado-Maior do Exército, a Procuradoria-Geral da República também abriu uma investigação.

Segundo o ministro da Defesa, houve “circunstancias absolutamente excecionais” no domingo, dia em que ocorreu a morte do jovem militar do 127.º curso dos Comandos, e no qual outros ficaram feridos, estando ainda um internado Hospital Curry Cabral em lista de espera para transplante hepático.

Estamos a falar de um dia [domingo] tremendamente quente, de temperaturas que aparentemente rondavam ou até ultrapassavam os 40 graus”, frisou Azeredo Lopes, salientando que se trata de um curso de Comandos, onde o “patamar de exigência física é muitíssimo elevado”, o que garante que sejam “tropas de elite”.

No entanto, Azeredo Lopes refere que as circunstâncias não o fazem concluir “nem que se tratam de factos naturais, o que aconteceu, ou factos censuráveis com responsabilidade que possa ser imputável alguém ao não ter conseguido evitar estas tragedias”.

Na sequência de um treino dos Comandos, um militar morreu devido a "um golpe de calor" e diversos outros receberam assistência hospitalar, estando ainda internados cinco: um no Curry Cabral, três no Hospital das Forças Armadas e outro no Hospital da Cruz Vermelha.

Exército esclarece que 127.º curso de Comandos mantém-se

O Exército esclareceu que o 127.º curso dos Comandos vai manter-se de forma “controlada e adaptada”, sublinhado que os próximos cursos é que vão ser suspensos até conclusão dos inquéritos em curso.

O despacho do Chefe de Estado-maior do Exército foi para a suspensão dos próximos cursos de Comandos, ou seja, a intenção do Exército é que este curso, o 127.º, termine de forma controlada e adaptada como foi tem sido feito até agora”, explicou à Lusa o porta-voz do Exército, o tenente-coronel Vicente Pereira.