"Está muito próximo o apuramento dos factos" relativos ao surto de legionella em Lisboa. Depois de ontem ter pedido desculpa aos doentes e de ter garantido que serão "apuradas cabalmente todas as responsabilidades", o ministro da Saúde disse hoje que esse apuramento permitirá identificar "a tal falha técnica" que levou à infeção de 51 pessoas, sendo que cinco morreram.

À saída de uma visita à Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal, em Lisboa, interrogado se já se sabe como é que 50 pessoas - das quais cinco morreram - apanharam esta bactéria no Hospital São Francisco Xavier, Adalberto Campos Fernandes respondeu:

Sim, sabe-se. Está-se muito próximo do apuramento dos factos. Haverá um relatório preliminar. Naturalmente, nós não vamos interferir naquilo que desejamos que seja um inquérito do Ministério Público competente, independente, sólido, que respeite as orientações determinadas do segredo de justiça. Mas, eu creio que estamos em condições de perceber onde é a tal falha técnica, que eu me pareceu que tinha ocorrido no princípio, terá mesmo ocorrido".

Questionado se tem a certeza de que, desde que as autoridades souberam da presença da bactéria no Hospital São Francisco Xavier, ninguém mais foi infetado com legionella naquele espaço, o ministro foi taxativo: "Sim, há a certeza absoluta sobre isso. Isso é uma questão que a Direção-Geral da Saúde (DGS), com muito cuidado, com muita atenção, acautelou. Essa certeza existe".

Relatório pronto entre quarta e quinta-feira

Adalberto Campos Fernandes realçou que deverá estar concluído, entre quarta e quinta-feira, o relatório preliminar conjunto do Instituto Nacional de Saúde doutor Ricardo Jorge e da Direção-Geral da Saúde, no qual "serão libertadas as informações que não estiverem ao abrigo do segredo de justiça que, entretanto, foi determinado pelo Ministério Público".

"Felizmente, também como a senhora diretora-geral da Saúde afirmou, confirma-se que estamos na fase final do surto", disse.

Quanto ao apuramento de responsabilidades de que falou na segunda-feira, no parlamento, e que o Presidente da República disse hoje estar à espera, o ministro considerou que "quem tem esse poder e essa obrigação e essa competência são, naturalmente, as entidades de investigação, quer a Inspeção-Geral das Entidades em Saúde, quer, sobretudo, o Ministério Público".

Há dois níveis de responsabilidade. Naturalmente, que há um nível de responsabilidade civil. E eu tenho conhecimento de que as entidades envolvidas, nomeadamente as empresas que asseguravam aquele tipo de serviço, desde o primeiro minuto sempre disseram que um nexo de causalidade que estabelecesse essa ligação entre a libertação das torres de refrigeração e a contaminação, a ser apurado - portanto, estamos aqui a pôr cautelarmente o condicional nesta afirmação -, assumiriam as responsabilidades civis que decorrem naturalmente dos danos que foram causados às vítimas".