Cerca de 15 dias depois do início do surto de legionella, o ministro da Saúde veio esta segunda-feira pedir desculpa aos doentes infetados. Adalberto Campos Fernandes lamentou a situação, que já provocou cinco mortes e 48 infetados, perante os deputados, no Parlamento, e assegurou que o Governo tudo fará para que se apurem "cabalmente todas as responsabilidades".

O Governo acompanha a posição do hospital (...) naquilo que é o entendimento de que os utentes são formalmente credores de um pedido de desculpa, um pedido de desculpa do hospital, da empresa ou empresas que tinham a responsabilidade de fazer a vigilância da segurança, quer das condições ambientais, quer das condições de segurança clínica, naturalmente da ARS Lisboa e Vale do Tejo, mas também porque eu tutelo todos esses organismos, de mim próprio, enquanto responsável político do Governo"

O ministro deixou ainda uma garantia: "Tudo faremos para que os inquéritos em curso apurem cabalmente todas as responsabilidades".

Adalberto Campos Fernandes assumiu, ainda, que as vítimas devem ser objeto de uma reparação no âmbito da responsabilidade civil pelas entidades que falharam. 

Tem de haver reparação no âmbito da responsabilidade civil por quem possa não ter feito aquilo que devia ter sido feito”.

A Inspeção Geral das Atividades em Saúde (IGAS) e o Ministério Público estão a acompanhar o caso e o governante fez questão de recordá-lo aos deputados.

“Isto não serve de desculpas para que os hospitais e as empresas não estejam reguladas por uma legislação mais exigente”, defendeu.

Ao mesmo tempo, anunciou que, na próxima quarta-feira, a Direção-Geral da Saúde e o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge vão publicar orientações atualizadas e “mais exigentes” para estas situações.

Antes, no início da sua intervenção e antes de responder aos deputados no debate sobre o Orçamento do Estado para 2018 (que está a ser debatido na especialidade), quis em nome do governo "lamentar a ocorrência de mais um óbito relacionado com o surto de legionella no Hospital São Francisco Xavier", em Lisboa. A quinta vítima mortal é uma mulher de 76 anos.

 As outras vítimas mortais são um homem de 77 anos, uma mulher de 70 anos, outra de 68 anos e ainda uma mulher de 97 anos.

O último balanço da Direção-geral de Saúde dá conta que a maioria dos doentes (71%) tem idade igual ou superior a 70 anos.

Há 34 pessoas ainda internadas, sendo que nove doentes já tiveram alta.