O primeiro-ministro reuniu-se com o ministro da Saúde, esta noite de segunda-feira, em São Bento, de propósito para preparar a reunião que Adalberto Campos Fernandes terá esta terça-feira com o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP). Este sindicato, afeto à CGTP, não convocou a greve dos enfermeiros, que começou hoje e decorre até sexta-feira. Criticou o timing em que se realiza, uma vez que estão a decorrer negociações com a tutela e alertou até para os riscos da suspensão dos títulos de especialistas que tem sido levada a cabo por estes profissionais.

A TVI24 apurou que António Costa cancelou, por causa da reunião preparatória daquela que se realiza esta terça-feira, a sua presença numa ação de campanha de apoio à reeleição do atual presidente da Câmara de Arruda dos Vinhos, André Rijo. Estaria presente na qualidade de secretário-geral do PS.

Hoje cumpriu-se o primeiro de cinco dias de greve nacional dos enfermeiros, que teve uma adesão de 85% no final do segundo turno, de acordo com o Sindicato dos Enfermeiros. De notar que a paralisação foi marcada pelo Sindicato Independente dos Profissionais de Enfermagem (SIPE). Já o SEP, o maior sindicato, não alinhou na paralisação.

Certo é que esta é uma greve sem precedentes, com vários protestos à porta dos hospitais. No total, são cinco dias de paralisação. A gota de água para a impaciência dos enfermeiros foi o braço de ferro dos enfermeiros especialistas, nomeadamente dos de obstetrícia. Não aceitam que o governo não reconheça a especialização. Mas a isso soma-se a frustração dos salários congelados e baixos para as responsabilidades que têm; e ainda o horário de trabalho que consideram penoso e sem remuneração condigna.

A Secretaria de Estado do Emprego considerou irregular a marcação da greve, alegando que o pré-aviso não cumpriu os dez dias úteis que determina a lei. O ministro da Saúde considerou que o protesto agendado pelos enfermeiros é “ilegítimo, ilegal e imoral”. E disse que quem fizesse greve teria falta. O Sindicato dos Enfermeiros vai processar judicialmente todos os hospitais que marquem falta injustificada .

O Bloco de Esquerda, que apoia o Governo no parlamento, criticou hoje o Executivo socialista. Catarina Martins advertiu que tem "tardado nas respostas" aos enfermeiros, e o ministro da Saúde "tem sido desajustado nas suas declarações" sobre o tema.

Já o presidente do PSD, Passos Coelho, espera que seja encontrada uma solução no conflito negocial entre os enfermeiros e o Governo, mas admitiu que possam ter sido criadas expectativas a esta classe profissional que não estão a ser cumpridas.

O encontro do primeiro-ministro com o titular da pasta da saúde ocorreu depois do Conselho de Ministros Extraordinário, que foi dedicado exclusivamente ao tema das opções estratégicas de Portugal para os quadros comunitários de apoio na próxima década.