O ministro do Ambiente defendeu esta terça-feira que o Alqueva pode levar água a muitas outras albufeiras mais pequenas no sul do país e realçou que os agricultores devem indicar as suas necessidades até final de janeiro.

O “Alqueva tem, de facto, uma grande capacidade para que, de forma programada, possa levar a água a um número muito vasto de outras albufeiras de menor dimensão”, nas bacias hidrográficas do Sado e do Guadiana, apontou João Matos Fernandes.

O governante falava aos jornalistas no final da reunião da Comissão Permanente do Conselho Económico e Social (CES), que reúne representantes do Governo, das empresas e dos trabalhadores, com confederações e centrais sindicais, e que teve como tema o balanço do plano de combate à seca.

Já no final de janeiro os agricultores e as associações regantes vão ter de dizer qual a quantidade de água de que precisam”, referiu o ministro.

Esta transferência de água é paga pelas associações de regantes e, no ano passado, “ficámos todos à espera, na expectativa da chuva e isso não pode acontecer” este ano, realçou.

João Matos Fernandes afirmou que no final de janeiro ou início de fevereiro “tem de ficar completamente definida” qual a quantidade de água transferida para cada uma das bacias hidrográficas de maneira a que não existam os problemas registados no último ano.

O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), que também participou na reunião, disse ter sentido “alguma retração” do ministro do Ambiente relativamente à necessidade de Portugal constituir mais capacidade de reservas de água.

“Creio que é evidente que nós precisamos de equacionar, melhorar as condições de reservar água” de forma a garantir a qualidade e quantidade para o abastecimento urbano, mas também assegurar uma regularidade do abastecimento de água aos sistemas de agricultura, referiu Eduardo Oliveira e Sousa.

Precisamos de soluções como o Alqueva noutras regiões do país”, acrescentou o representante dos agricultores.

Também o ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos, apontou a capacidade de distribuição de água do Alqueva, que foi concebido para cerca de 120 mil hectares e vai abranger mais 50 mil, ou seja, “com a mesma água [vai] regar mais área”.