O ministro da Saúde lamentou esta quarta-feira "o incómodo e a perturbação" causado à família da vítima de legionella que se encontrava a ser velada na terça-feira, quando a polícia recolheu o corpo para autópsia.

Adalberto Campos Fernandes lembrou contudo que "é fundamental que o Ministério Público cumpra o seu trabalho e compreenda o que falhou ou correu mal" no surto de ‘legionella’ no hospital São Francisco Xavier, em Lisboa.

O ministro falava aos jornalistas à margem do primeiro fórum do Conselho Nacional de Saúde, que está a decorrer em Lisboa.

Campos Fernandes disse não ter tido ainda ocasião de falar com a Procuradoria-geral da República, mas lamentou "a forma perturbada como tudo aconteceu".

O corpo de uma das vítimas mortais do surto de legionella no Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa, foi recolhido pela PSP quando estava a decorrer o velório em Campo de Ourique, por ordem do DIAP.

De acordo com a mesma fonte, a situação "foi desconfortável”, mas teve que ser cumprida.

Fonte do Comando Nacional da PSP confirmou à Lusa que o corpo foi recolhido durante o velório, explicando que se tratou de cumprir um “procedimento obrigatório”.

O Ministério Público ordenou igualmente a autópsia ao corpo da outra vítima mortal, o que originou que a data das cerimónias fúnebres tivesse de ser alterada, disse à Lusa fonte da família.

O Ministério Público anunciou esta quarta-feira que os elementos recolhidos originaram a abertura de um inquérito ao surto de legionella no Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa, que já causou dois mortos e infetou pelo menos 38 pessoas.

“Os elementos recolhidos deram origem a um inquérito, que se encontra em investigação no DIAP [Departamento de Investigação e Ação Penal] de Lisboa”, refere o Ministério Público em resposta enviada à agência Lusa.

Santa Maria diz que que cumpriu todos os procedimentos

O Hospital de Santa Maria, em Lisboa, afirmou esta quarta-feira que cumpriu “os procedimentos internos e externos” no que se refere ao processo de libertação do corpo de uma das vítimas de legionella.

No que se refere ao processo de libertação do corpo da pessoa falecida no Centro Hospitalar de Lisboa Norte (CHLN), o hospital informa que cumpriu os procedimentos internos e externos previstos para a situação em causa”, indicou à agência Lusa uma fonte oficial do Centro Hospitalar.

A mesma fonte acrescentou que o conselho de administração do CHLN apresenta às famílias das vítimas “as suas condolências, lamentando profundamente o sucedido”.