O ministro da Defesa disse esta quinta-feira em Lisboa que a NATO deve demonstrar “ponderação e firmeza” em relação à Rússia, adiantando que a próxima cimeira da Aliança Atlântica deve responder às ameaças sentidas pelos parceiros no leste Europeu.

Azeredo Lopes participou hoje na conferência “A Cimeira da NATO em Varsóvia e o Novo Ambiente de Segurança Internacional”, que decorreu na Assembleia da República, em Lisboa, e que contou com a presença do secretário-geral adjunto da Aliança Atlântica, Alexander Vershbow,

Azeredo Lopes afirmou que a principal expetativa para a Cimeira da NATO - que se vai realizar entre os dias 08 e 09 de julho - e no que diz respeito à presença avançada no leste e no sudeste da aliança, “é que a mensagem de firmeza e dissuasão da organização se venha a traduzir num acordo que responda à ameaça sentida por parceiros” como a Polónia, a Estónia, a Lituânia e a Letónia e, também, no Mar Negro, a Bulgária e a Roménia.

Assim, afirmou o ministro da Defesa, Portugal vai continuar a defender a ponderação e a firmeza, acrescentando que é preciso “não confundir firmeza com escalada”.

Azeredo Lopes sustentou que a linguagem relativa à Rússia deve manter-se “construtiva, tanto quanto possível”, não fechando portas ao diálogo com Moscovo, que considerou imprescindível, assim como a “calibragem adequada” de outras dimensões da resposta à crise, como as sanções europeias.

Apesar de ter afirmado que a ocupação russa da Crimeia fez regressar a NATO aos objetivos originais da aliança, o ministro da Defesa sublinhou que o mundo da União Soviética não está de regresso e que a Rússia “não é comparável” à ex-URSS.

Também na área da ciberdefesa se esperam resultados promissores da cimeira: o reconhecimento do ciberespaço como um ‘domínio operacional’ – para além da terra, mar e do ar – no contexto do qual possam ser levadas a cabo ações preventivas, face à necessidade contemporânea de capacitar os Estados e a própria aliança no âmbito crítico da segurança das comunicações”, acrescentou Azeredo Lopes.

Para o ministro da Defesa, a questão relacionada com o ciberespaço tem "especial" interesse para Portugal devido à presença em território português da Escola da NATO de Comunicações e Sistemas de Informações e que vai incluir uma vertente de formação e treino na área da ciberdefesa.

“O projeto é financiado a 100 por cento pela aliança, o que representa um investimento superior de 20 milhões de euros”, assinalou.

Gostaria ainda de deixar uma mensagem de cauteloso otimismo face ao que se adivinha possa ser, em Varsóvia, uma oportunidade a não desperdiçar de selar uma declaração conjunta NATO/União Europeia, reforçando, ao mais alto nível político e institucional, a necessidade de fomentar a complementaridade de métodos e meios entre as duas organizações”, concluiu o ministro da Defesa.