As declarações do subdiretor do Colégio Militar sobre as "situações de afetos" [homossexualidade] dentro daquele estabelecimento de ensino, numa reportagem do Observador, levaram o ministro da Defesa Nacional a pedir esclarecimentos ao Estado Maior sobre o assunto. 

Na reportagem, o tenente-coronel António José Ruivo Grilo afirma que "nas situações de afetos [homossexualidade] obviamente não" pode ser feita a "transferência de escola", mas o encarregado de educação é alertado para o facto de que "o filho acabou de perder espaço de convivência interna e a partir daí vai ter grandes dificuldades de relacionamento com os pares" e que esses alunos acabam por ser "excluídos" pelos colegas.

Terão sido estas as declarações que levaram o ministro Azeredo Lopes a solicitar “ao Comando do Exército, o devido esclarecimento sobre o teor de tais declarações”. Numa nota enviada ao Diário de Notícias, o ministro diz querer saber “que medidas pretende” o Exército “adotar, para garantir o direito à não discriminação, nomeadamente em função da orientação sexual”.

O Ministério da Defesa Nacional considera absolutamente inaceitável qualquer situação de discriminação, seja por questões de orientação sexual ou quaisquer outras, conforme determinam a Constituição e a Lei. Considerando que declarações atribuídas à direção do Colégio podem configurar uma inaceitável discriminação face à orientação sexual, por decisão do Senhor Ministro da Defesa Nacional, foi solicitado ao Comando do Exército, que é a entidade que detém a tutela deste estabelecimento militar de ensino, o devido esclarecimento sobre o teor de tais declarações, bem como sobre as medidas que pretende adotar, enquanto responsável pelas orientações superiores deste estabelecimento militar de ensino, para garantir o direito à não discriminação, nomeadamente em função da orientação sexual."

No entanto, o tenente-coronel António José Ruivo Grilo não se referiu apenas ao “tabu” da homossexualidade na reportagem do Observador por alto, tendo mesmo dado um exemplo concreto de um “caso de um aluno que tentou acarinhar outro aluno”.

"Os pais ainda quiseram que ele se mantivesse na escola mas a partir daí perdeu espaço. Foi completamente excluído, o que num ambiente de internato, 24 horas por dia, é extremamente pesado para o bem-estar e para o equilíbrio de uma pessoa." 

No entanto, apesar do subdiretor dizer que o aluno passou a ser “completamente excluído”, o diretor do Colégio Militar, coronel Sardinha Dias, garante que "ninguém é expulso por ser homossexual."