Perante a tragédia de 27 mortes decorrentes dos incêndios de domingo, a somar às de Pedrógão Grande, a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa não fala em demissão, apesar da pressão para se demitir. 

Aos jornalistas, sobre essa possibilidade, respondeu assim:

Senhor jornalista, neste momento estou emprenhada a trabalhar. É uma situação absolutamente extraordinária. Tivemos ontem 525 incêndios. É preciso recuar muito na memória para encontrar um dia igual. Peço imensa desculpa, mas estou a trabalhar e a companhar a situação"

Ainda sobre isso, mais à frente, a ministra disse que "não é o momento para a demissão", é "o momento para a ação". Sair seria "o mais fácil", voltou a dizer como há quatro meses, na altura da tragédia de Pedrógão Grande. 

Para mim seria mais fácil, pessoalmente, ir-me embora e ter as férias que não tive, mas agora não é altura de demissões” 

As minhas funções são naturalmente extremamente difíceis. O mais fácil para mim seria certamente a demissão. Ia-me embora e acha que o problema estava resolvido?”

Ontem, o primeiro-ministro considerou, na mesma linha, "um bocado infantil essa ideia de que as consequências políticas são a demissão de ministros".

A Proteção Civil indicou ontem que foi mesmo o pior dia do ano em matéria de incêndios. A ministra defende uma estratégia que passa pela "Proteção Civil preventiva" para que as "comunidades se tornem mais resilientes às catástrofes", dotando as freguesias de unidades de proteção civil.

A governante deixou a garantia de que o apoio está "todo no terreno" e que "naturalmente o Governo dará todo o apoio às vítimas afetadas".  Enviou "uma palavra de pesar e de condolência" e outra, de solidariedade, "aos operacionais que têm estado e continuam a estar no terreno".

O que falhou?

Constança Urbano de Sousa fala num problema estrutural, que não tem só a ver com os incêndios deste fim de semana ou com a tragédia de Pedrógão. "O que está a falhar é a prevenção estrutural. Não é de hoje, já tem décadas. Vai demorar muito tempo até termos uma floresta ordenada".

[É preciso] tirar lições no que diz respeito à preparação do sistema de Proteção Civil. [A profissionalização dos bombeiros é] uma das conclusões muito fortes [a tirar].

António Costa, era já madrugada de segunda-feira, assumiu por sua vez que "não temos bombeiros para acorrer a todas as situações".

Sobre os fogos de domingo, em específico, disse que “foram auto ignições, não necessariamente de mão criminosa, pode ser de mão negligente como pessoas que fazem queimadas".

O país está numa situação de seca muito extrema, houve ventos fortíssimos e tudo isso leva a que os incêndios tenham uma propagação extraordinária. Cada um de nós, os cidadãos também têm de se comportar em conformidade. Porque um Portugal sem incêndios também depende de cada um de nós".

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