A ministra da Administração Interna, Anabela Rodrigues, manifestou esta sexta-feira «abertura total» para alterar a proposta de revisão do estatuto profissional da PSP, disse à Lusa o presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP-PSP).

Paulo Rodrigues adiantou que a disponibilidade da ministra em «alterar a totalidade» do projeto significa que a proposta inicialmente apresentada «acaba por cair», existindo agora «a possibilidade de serem apresentadas propostas para todos os artigos».

Anabela Rodrigues iniciou esta sexta-feira com os sindicatos da PSP as negociações sobre o futuro estatuto profissional, tendo sido a ASPP o primeiro sindicato recebido.

No início do mês, a ministra apresentou aos sindicatos a proposta do Ministério da Administração Interna (MAI) de alteração ao estatuto profissional da Polícia de Segurança Pública o que gerou um descontentamento entre os polícias, além de todas as estruturas sindicais se terem manifestado contra o documento e ameaçaram com ações de protesto nas ruas.

O presidente da ASPP manifestou-se agradado com o resultado da reunião desta sexta-feira, sublinhando que o atual documento «era impossível de ser negociado».

Na próxima semana, a ministra vai continuar a reunir com os sindicatos, terminando a primeira ronda de negociações a 27 de março.

Para fazer um balanço das negociações, os sindicatos da PSP decidiram hoje realizar uma nova reunião geral para 07 de abril.

Paulo Rodrigues admitiu que poderá sair dessa reunir uma proposta conjunta dos sindicatos para apresentar à ministra, tendo em conta «a abertura total» de Anabela Rodrigues para rever o documento.

Além da reunião geral de estruturas sindicais realizada hoje, a direção nacional da PSP chamou também hoje de manhã os presidentes dos sindicatos de polícia para um encontro.

O aumento da carga horária, a redução dos dias de férias e a criação de um novo regime de avaliação são alguns dos pontos mais contestados pelos polícias, que exigem que o estatuto consagre a profissão como de risco e de desgaste rápido.

A proposta inicial do MAI prevê também a criação dos postos de agente-coordenador e chefe-coordenador e a dispensa do trabalho noturno dos polícias com mais de 58 anos, mantendo o pedido de passagem à pré-aposentação aos 55 anos de idade ou 36 anos de serviço.