O Ministério Público (MP) pediu esta quarta-feira justiça para os nove suspeitos de rebentar 22 multibancos no Norte do país com explosivos, entre 2011 e 2012, de onde levaram 400 mil euros, considerando o crime de «gravidade extrema».

«O rebentamento de terminais de multibanco com explosivos é gravíssimo e as consequências, mediante a sua localização, podiam ter dimensões muito superiores», afirmou a procuradora do MP, no Tribunal de Matosinhos.

Os arguidos, seis em prisão preventiva e três em prisão domiciliária, com idades entre os 24 e 61 anos, ficaram conhecidos como o «gangue dos multibancos» e estão acusados pelos crimes de associação criminosa, furto qualificado e simples, falsificação de documentos, uso de armas ilegais e explosão prevista.

Para rebentar as máquinas, os suspeitos usavam fios elétricos, lâmpadas e pilhas e atuavam sempre de madrugada.

O modo de atuar era sempre igual: os alegados assaltantes forçavam a abertura da saída de notas da máquina, introduziam aí um cabo condutor de gás e ligavam fios elétricos a uma bateria (pilhas), provocando a explosão.

O «gangue dos multibancos» agia quase sempre após o abastecimento das máquinas com dinheiro e escolhiam aquelas sem sistemas de videovigilância, alarmes de intrusão e colocadas em zonas pouco movimentadas.

Depois de retirado o dinheiro, os assaltantes fugiam e abandonavam os componentes da máquina em campos agrícolas, caminhos ou rios, enquanto os instrumentos usados nos crimes eram colocados em sacos desportivos e deixados em locais isolados.

Entre si, os arguidos comunicavam com telemóveis de baixo custo que, após os crimes, eram destruídos e abandonados. Já para se deslocarem, usavam estradas secundárias para evitar as portagens.

A acusação refere que «atuavam de forma uniforme, aplicando conhecimentos adquiridos».

Segundo o testemunho de um inspetor da Polícia Judiciária (PJ), em audiência de julgamento, após a detenção dos arguidos houve apenas a explosão de um multibanco com recurso a estes materiais e «modo de atuar».

Dois dos advogados de defesa pediram a absolvição dos arguidos por não se provarem os factos.

As alegações finais deste processo com dez mil páginas continuam no dia 11 de março, pelas 14:30.