O Ministério Público no Tribunal de Braga pediu a condenação do automobilista que em 2012 atropelou duas estudantes da Universidade do Minho (UMinho), em Braga, matando uma e ferindo outra com gravidade.

Nas alegações finais, o Ministério Público (MP) pediu a condenação do arguido por um crime de homicídio por negligência, outro de ofensa à integridade física grave, também por negligência, e dois de omissão de auxílio.

Para o MP, a pena a aplicar deverá ser de cerca de três anos e meio de prisão.

A defesa pediu que a pena a aplicar seja suspensa, até porque o arguido já tem um contrato de trabalho para a Suíça.

Durante o julgamento, o arguido garantiu que, na altura do acidente, não estava alcoolizado e que não circularia a mais de 50 kms/hora.

«Se calhar, não ia devagar, mas creio que não passei o limite de velocidade, quase de certeza que não passei. Devia ir à volta dos 50 [quilómetros por hora]», referiu.

Após o atropelamento, o arguido pôs-se em fuga sem prestar auxílio às vítimas, só se entregando às autoridades nove horas depois.

Segundo a acusação, deduzida pelo Ministério Público (MP), o condutor «estava sob influência de álcool» e quis, assim, furtar-se ao teste de alcoolemia.

O MP refere que ele também circulava sem seguro automóvel.

O arguido, que chorou durante o seu depoimento, disse que, após o acidente, ainda parou um bocado à frente, mas acabou por fugir por ter ficado «sem saber o que fazer» e por ter receado pela sua segurança, uma vez que alguns dos presentes no local terão alegadamente tentado chegar ao veículo que conduzia.

O acidente registou-se a 18 de maio de 2012, pelas 06:45 horas, junto à UMinho, numa altura em os estudantes regressavam, de autocarro, dos festejos académicos.

O arguido disse que se assustou com «um grupo de pessoas» que lhe pareceu que iam entrar na sua faixa de rodagem, deu duas «guinadas» e perdeu o controlo do carro, indo colher duas estudantes que se encontravam no separador central.

Uma das alunas, de 22 anos e que frequentava o 2.º ano do curso de Ciência Política, acabou por não resistir aos ferimentos, morrendo a 26 de maio, no Hospital de S. João, no Porto, onde foi submetida a uma operação ao coração.

A outra, de 21 anos, sofreu ferimentos muito graves e teve necessidade de ser submetida a uma série de intervenções cirúrgicas, apresentando ainda lesões não consolidadas.