«Se quanto aos magistrados do MP a carência é de, pelo menos, 100, quanto aos funcionários judiciais é de, pelo menos, 1.000. Sem eles, os tribunais não andam, a Justiça pára», afirmou no discurso de abertura do X Congresso do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, com o tema «Qualidade da Justiça, Qualidade na Democracia».

«Um pouco por todo o país, assistimos hoje, em algumas jurisdições, a inúmeros juízes que não podem realizar mais julgamentos e outros atos processuais por indisponibilidade dos magistrados do MP, que estão noutras diligências com outros juízes. Esta é uma enorme sobrecara de trabalho para os magistrados do MP existentes, que passam os dias correndo de diligência para diligência, com vários juízes diferentes.»


«Esta situação vai agravar-se. Desde logo, porque estão neste momento em fase de formação de 60 futuros juízes e apenas 20 futuros magistrados do MP.»


«Temos, não raramente, o MP de mão estendida para o executivo, pedindo meios para realizar a investigação A ou a investigação B. Por vezes com resposta positiva, mas normalmente com resposta negativa.»


«Ambos os caminhos agravarão os problemas existentes: será impossível e inviável qualquer esforço para especial aproximação com o MP, visando o efetivo controlo por parte deste das investigações criminais e o reforço da sua qualidade. A fusão com outra polícias poderá até colocar em perigo a existência em Portugal de uma polícia com o grau de conhecimento técnico e científico, de especialização e organização adequados às exigências modernas.»