A Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso BES decidiu esta quinta-feira participar ao Ministério Público a recusa do empresário José Guilherme em depor no parlamento para esclarecer a prenda de 14 milhões de euros que ofereceu a Ricardo Salgado.

«Decidimos enviar [para o Ministério Público] porque há um dever especial de colaboração tratando-se de uma pessoa que tem um estatuto semelhante ao de testemunha», afirmou à agência Lusa Fernando Negrão, presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ao caso BES.

Segundo Fernando Negrão, a CPI entendeu que o «dever especial de colaboração foi quebrado» porque o empresário «terá estado em Portugal».

«Entendeu-se enviar para o Ministério Público para o Ministério Público agora aferir se isso consubstancia ou não um crime de desobediência», sublinhou Fernando Negrão. 

O empresário José Guilherme foi chamado à comissão de inquérito em fevereiro para esclarecer a prenda de 14 milhões de euros que ofereceu a Ricardo Salgado, ex-presidente do BES.

José Guilherme, que reside em Angola, tem adiado a sua presença no parlamento, alegando razões profissionais e de saúde, mas, segundo o semanário Expresso, o empresário terá estado no barbeiro na Amadora a 7 de março.