O Ministério Público acusou dois arguidos pela prática de um crime de homicídio qualificado, dois de homicídio qualificado na forma tentada, três de roubo agravado e um de rapto, informou a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL).

Segundo a PGDL, ficou indiciado que, a 30 de junho passado, os dois arguidos se introduziram na residência de duas idosas, com 81 e 83 anos, a pretexto de recuperarem um balde de tinta, uma vez que tinham estado anteriormente na mesma residência - na Rua Oliveira Ramos, em Lisboa - para realizarem umas obras, ocasião em que notaram que as vítimas viviam sozinhas e tinham consigo valores e dinheiro.

No assalto, os arguidos iam munidos com um frasco com amoníaco e, uma vez no interior da residência, amarraram as vítimas de pés e mãos e introduziram-lhe na boca tecido embebido naquela substância até perderem os sentidos.

Depois disso, apoderaram-se dos valores encontrados, tendo abandonado a residência e as vítimas, de idade avançada, inconscientes e amarradas, prevendo a morte de ambas em consequência do estado de sufocação e da impossibilidade de se defenderem em que as colocaram.

Segundo a acusação, uma das vítimas viria a falecer em «consequência direta e necessária» das lesões infringidas que lhe provocaram asfixia total. A segunda das vítimas só escapou por ter sido socorrida a tempo, mas ficou com lesões permanentes graves, tendo ficada internada em tratamentos hospitalares até 8 de agosto último.

A investigação apurou ainda que a 24 de junho passado, estes dois arguidos conseguiram introduzir-se na residência de uma outra vítima - na Rua D. Filipa de Lencastre em Odivelas-, a pretexto da intenção de alugar um quarto, e uma vez no interior da habitação amarraram o ofendido, desferiram-lhe vários golpes de navalha, designadamente no pescoço, fazendo-o com intenção de o forçar a entregar os cartões de multibanco com os respectivos códigos.

Como a vítima não tivesse cartões multibanco, subtraírem-lhe os valores que tinha consigo e abandonaram-no amarrado, após as agressões cometidas com a navalha.

A acusação considerou que os arguidos aproveitaram-se da «vulnerabilidade das vítimas» quanto à idade e que agiram com «crueldade frieza de ânimo» sabendo que a morte poderia ocorrer em consequência das agressões infligidas.

Os ora acusados foram detidos pela Polícia Judiciária a 1 e 2 de julho no aeroporto de Lisboa, quando se preparavam para embarcar para o Brasil, de onde são naturais. Estão em prisão preventiva desde essa data.

O Ministério Público requereu a aplicação de pena acessória de expulsão de Portugal aos dois arguidos brasileiros.

Os exames periciais do Laboratório de Polícia Científica (LPC) no local e os vestígios encontrados no canivete foram essenciais para a determinação da autoria dos crimes, adianta a PGDL.