O ministro do Ambiente garantiu hoje que está a acompanhar o aparecimento de quatro estirpes de bactérias multirresistentes no Rio Ave, Norte de Portugal, para investigar as origens, mas frisou que não há motivos para alarmismos de saúde pública.

“Estamos a acompanhar, a perceber o que de facto está a acontecer e quais são as origens dessas mesmas bactérias”, declarou aos jornalistas o ministro João Matos Fernandes, à margem de uma visita que realizou hoje de manhã ao evento Bioblitz, uma inventariação relâmpago da fauna e da flora na Fundação de Serralves (Porto).

Em abril, a Lusa avançava que um estudo científico do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, em parceria Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e a Universidade de Friburgo na Suíça, isolaram quatro estirpes de bactérias na água do Rio Ave, todas 'Escherichia coli', com grande capacidade de resistência aos antibióticos, incluindo aqueles que se usam exclusivamente nos hospitais para tratamento de infeções graves (carbapenemos).

Em 2010, o mesmo grupo de investigação isolou no rio Ave uma estirpe portadora dos genes de resistência que viriam a ser identificados na “Klebsiella pneumoniae”, que causou o surto de infeção hospitalar de Vila Nova de Gaia.

O ministro do Ambiente saudou os estudos científicos universitários e defendeu que o padrão de análises às águas dos rios devem ser sistematicamente melhorados.

“É sem dúvida muito saudável que organizações universitárias sejam ainda mais exigentes nas análises que são feitas e encontrem bactérias como estas que foram encontradas, que são sem dúvida de preocupação para nós, e a certeza de que aquilo que é o padrão comum analítico que é feito nas águas do rio têm de ser sistematicamente aperfeiçoado”, declarou.

O ministro do Ambiente adiantou ainda que o seu Ministério não tem conhecimento do aparecimento de bactérias multirresistentes noutros rios em Portugal.

“Não temos conhecimento, porque, repito, naquilo que são as análises feitas à qualidade da água, que são feitas pelos organismos do Ministério do Ambiente, dentro de um padrão definido pela Organização Mundial de Saúde”.

João Matos Fernandes disse que o caminho deve ser o de acompanhar a ciência, que “nos vai dando provas inequívocas daquilo que são novas preocupações e novos cuidados a ter” e “com certeza que os poderes públicos acompanham esse mesmo novo conhecimento que a ciência nos traz”.

O ministro do Ambiente afirmou que o caso está a ser acompanhado através da Administração da Região Hidrográfica do Norte (ARH-Norte).