O presidente da Secção Regional do Centro da Ordem Médicos, Carlos Cortes, disse esta terça-feira que o Ministério da Saúde (MS) está «desorientado» com o que está a acontecer nas urgências e a revelar-se «incapaz» de controlar a situação.

«Não é aceitável a desorientação e incapacidade do MS de controlar a situação» nas urgências, afirmou, esta terça-feira, em Coimbra, em declarações à agência Lusa, Carlos Cortes, considerando que «as medidas avulsas», que a tutela tem vindo a adotar, «são o reconhecimento irrefutável da falência» da política que tem seguido para o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

«Picos de afluência [de doentes] às urgências acontecem todos os anos», este ano talvez de forma algo mais acentuada, e «vão voltar a acontecer», mas o MS reage com «soluções desconexas e a conta-gotas», afirma Carlos Cortes.

As urgências privadas podem vir a tratar doentes do SNS em alturas de maior afluência aos hospitais, segundo um conjunto de medidas que inclui a repetição da triagem, quando o tempo de espera for ultrapassado.

As medidas constam de um despacho, a que a agência Lusa teve acesso hoje, assinado pelo secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde, Fernando Leal da Costa, a 09 de janeiro, quando já tinham ocorrido três mortes em serviços de urgência. Esse número subiu entretanto para oito.

O facto de o acréscimo de afluência às urgências ser encarado com «surpresa», no entanto, é «motivo de maior preocupação ainda» para os médicos, sublinhou.

A circunstância de o ministro da Saúde, Paulo Macedo, que é «o alto responsável pela saúde em Portugal, ficar surpreendido» com o aumento de afluência, nesta época do ano, aos serviços de urgências dos hospitais públicos, «deixa-nos preocupados», frisou Carlos Cortes.

«O Ministério [da Saúde] tem estado a vender a imagem de que está a salvar o SNS, através de respostas mínimas», afirmou o presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, considerando que a tutela continua a «esquecer-se das respostas» a nível dos cuidados de saúde primários.

«Em vez de transmitir um sentimento de segurança e de confiança às populações», o Ministério está a promover o «alarmismo», anunciando «todos os dias medidas novas, avulsas e desconexas», enquanto «continuam a morrer pessoas à porta das urgências».

Os médicos têm «insistido na necessidade de valorizar a prestação de cuidados de saúde primários, através dos centros de saúde», mas a tutela continua a não querer «ouvir os profissionais que estão no terreno», sustenta Carlos Cortes, concluindo que «a falta de recursos humanos é o maior problema do SNS».