A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) defendeu, esta quarta-feira, que chegou o momento de «dar um murro na mesa», justificando a greve marcada para julho com o facto de o Ministério da Saúde não cumprir com o acordado com os profissionais.

Em declarações aos jornalistas, Maria Merlinde, dirigente da FNAM, acusou o ministério da Saúde de não cumprir o acordo a que chegou com as estruturas sindicais e representativas dos médicos.

A dirigente sindical especificou que, para o incumprimento do acordo, contribuem obstáculos criados pelas das administrações regionais de saúde, pelos agrupamentos dos centros de saúde e administrações hospitalares.

A FNAM já entregou o pré-aviso de greve, marcada para os dias 08 e 09 de julho, estando agendada para o primeiro dia uma concentração às 10:00 junto ao ministério da Saúde.

A presidente da FNAM lembrou que em outubro de 2012 foi feito um acordo com o ministério, onde foi definida uma ata de entendimento que pressupunha que algumas das exigências ficavam suspensas devido ao período de crise que o país atravessava.

«Esse período já terminou, o chamado PAEF [Programa de Assistência Financeira a Portugal], algumas das coisas deviam ser repostas, mas há sobretudo o não cumprimento daquilo que nós consideramos que é fundamental que é o que visava este acordo», apontou.

De acordo com Maria Merlinde, o MS não está a salvaguardar o Serviço Nacional de Saúde (SNS) ou os profissionais que nele trabalham, estando em causa a degradação das condições de trabalho dos médicos, dando como exemplo o caso de uma médica que foi despedida por delito de opinião.

Por outro lado, a responsável disse que a FNAM não aceita médicos indiferenciados e classificou o projeto de Código de Ética de «afronta».

Sérgio Esperança, outro dirigente da FNAM, aproveitou para culpar o ministério pela degradação dos cuidados prestados e justificou, por isso, que «é momento de dizer basta» e de «dar um murro na mesa».

«A continuarmos assim, o Serviço Nacional de Saúde provavelmente ficará numa situação residual e deixará de ter as carreiras médica como tem tido até aqui», apontou, acusando Paulo Macedo de nos últimos dias estar a ter uma atitude de «bombeiro» e de «andar a apagar fogos».

Os médicos chegaram a um «ponto limite» e entendem, por isso, que chegou o momento de se rebelarem contra a atual política do Governo de Passos Coelho, disse.

Um terceiro dirigente da FNAM aproveitou para deixar a garantia de que os médicos não vão para esta greve de ânimo leve, justificando a ação com a «atitude deliberada e friamente calculada» de degradação do SNS.

Mário Jorge deixou o aviso a todos os cidadãos que a degradação do SNS será ainda maior e de «consequências imprevisíveis» e que estão a caminho de perder uma das grandes conquistas da democracia.

De acordo com os dirigentes sindicais não há para já qualquer reunião marcada com a tutela, mas as várias estruturas representativas dos médicos, entre a FNAM, Ordem dos Médicos e Sindicato Independente dos Médicos, vão reunir no dia 10 de julho para analisar a atual situação dos profissionais.