O Ministério da Saúde promete ouvir os enfermeiros e quer alcançar uma «plataforma de compromisso», para evitar a realização da greve nacional marcada para dias 24 e 25 deste mês.

«Vamos ouvir com atenção o que são os desejos dos enfermeiros, com certeza conseguiremos encontrar uma plataforma de compromisso. É nosso desejo que a greve não aconteça», disse esta sexta-feira aos jornalistas o secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde, Fernando Leal da Costa, à margem de uma cerimónia no Instituto Português do Sangue e da Transplantação, em Lisboa.

Foi ontem mesmo que o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) anunciou a greve nacional contra a exaustão dos profissionais e pela contratação de mais colegas.

«Os enfermeiros portugueses estão atualmente confrontados com inúmeros problemas», como a «grave carência de profissionais», que provoca processos de exaustão, declarou, em conferência de imprensa, o presidente do SEP, José Carlos Martins.

Para exigir uma valorização da profissão, as 35 horas semanais de trabalho para todos, a progressão na carreira e a reposição do valor das horas suplementares e noturnas, o sindicato decidiu agendar esta greve nacional que, no dia 25, coincidirá com uma concentração junto ao Ministério da Saúde, em Lisboa, nota a Lusa.

José Carlos Martins admitiu, contudo, que a paralisação pode ser desconvocada se, na reunião de dia 17 de setembro, o Ministério da Saúde responder positivamente à globalidade das exigências.

«Os enfermeiros estão hoje confrontados com inúmeros problemas que alicerçam, ampliam e aprofundam elevados níveis de descontentamento e insatisfação no seio da profissão. Os Plenários, Greves e Concentrações de enfermeiros que marcaram Julho e Agosto foram um expressivo sinal», pode ler-se no comunicado, que revela ainda uma menifestação junto ao ministério da Saúde agendada para 25 de setembro.

Acrescentam os enfermeiros: «Para dia 17 de Setembro, na reunião negocial com os Ministérios da Saúde (Secretários de Estado Dr. Manuel Teixeira e Dr. Leal da Costa) e das Finanças, SEP e SERAM exigem que sejam dadas respostas a todas as matérias (Salariais, Emprego, Desenvolvimento Profissional e Condições de Trabalho) inscritas no Caderno Reivindicativo apresentado em 2013».

Nas contas dos sindicalistas, para as necessidades do país, seriam precisos mais 25 mil enfermeiros no Serviço Nacional de Saúde, que se juntariam aos cerca de 39 mil existentes nos serviços públicos.