O novo comandante-geral da GNR, tenente-general Manuel Couto, considerou hoje «legítimas» muitas das preocupações expressas pelos militares da corporação, tendo em conta a «disponibilidade» e o «esforço» exigido diariamente.

«Conheço os vossos anseios e partilho muitas das vossas preocupações quanto ao grau de disponibilidade e esforço que vos é exigido diariamente. São legítimas e merecem ser devidamente ponderadas», afirmou o comandante-geral da GNR, na cerimónia que assinalou os 103 anos da Guarda Nacional Republicana, na Escola da Guarda, em Queluz.

Dirigindo-se aos militares, Manuel Couto disse que as «restrições ao exercício de direitos e liberdades, as exigências da atividade diária, tantas vezes exercida sem limites de tempo ou de horário, frequentemente em ambiente de hostilidade onde o desrespeito e a agressão física não constituem infelizmente exceção, justificam o reconhecimento do grau de penosidade e riscos inerentes à condição de militar da guarda».

Na primeira intervenção pública desde que tomou posse como comandante-geral da GNR, a 21 de abril, Manuel Couto divulgou alguns números relacionadas com a atividade da GNR em 2013, ano em que foram realizadas mais de um milhão de rondas e patrulhas, e detidas cerca de 27.000 pessoas.

No âmbito da fiscalização rodoviária, a GNR realizou mais de 20.000 ações e fiscalizou cerca 1,7 milhões de condutores, disse.

Já no domínio fiscal e aduaneiro foram efetuadas cerca de 80.000 ações, detetados 234 crimes e apreendida mercadoria no valor de 28 milhões de euros, na qual se incluem mais de 700 viaturas.

No final da apresentação, o comandante-geral disse esperar que, «no próximo ano», o balanço seja «ainda mais expressivo».

Respondendo a Manuel Couto, o ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, disse que «a expectativa» é que, em 2014, todos possam «estar orgulhosos do trabalho» realizado.

«A circunstância atual não vai impedir, não pode impedir que se faça na Guarda Nacional Republicana aquilo que é importante para o prestígio desta instituição e o reconhecimento justo do trabalho dos militares. Essa tem sido, nestas circunstâncias difíceis, a nossa preocupação e assim vai continuar a ser», sublinhou Miguel Macedo.

À margem da cerimónia, o ministro disse aos jornalistas que estão previstas alterações orgânicas na GNR.

«Essas alterações vão ocorrer e significam uma alteração importante da guarda e do dispositivo da guarda, tendo como objetivo fundamental responder melhor a algumas necessidades, designadamente na área do trânsito, na área operacional de controlo de fronteiras e de vigilância da costa», adiantou Miguel Macedo.

Durante a cerimónia, foi prestada uma homenagem aos militares que morreram em serviço, em que marcaram presença os pais do cabo da GNR morto a tiro, em Serpa, em dezembro.

Instado pelos jornalistas a dizer que palavras dirigira aos pais do militar, Miguel Macedo contou que lhes pediu para «terem força».

«Disse-lhes que o cabo Chaínho é um dos nossos maiores que nós veneramos, como todos os outros» que perderam a vida no cumprimento do dever, adiantou o ministro, comentando que a homenagem é sempre importante, mas «não apaga a dor e o sofrimento dos pais».

Vários militares que se destacaram na «segurança dos cidadãos» foram condecorados na cerimónia, que arrancou com o tradicional desfile das forças em parada e prosseguiu com demonstração de atividades do «carrossel moto».

A cerimónia foi encerrada com a demonstração de uma intervenção das várias forças de operações especiais, num suposto momento de agitação civil, durante o qual se ouviram disparos e foram atirados «cocktail Molotov», terminando com a detenção do líder de um «gang».