O ministro da Administração Interna disse que o orçamento do ministério para o próximo ano vai ser «exigente», tendo em conta que é necessário fazer um ajustamento orçamental.

«O orçamento vai ser exigente», disse aos jornalistas Miguel Macedo, após ter sido ouvido pelos deputados no plenário da Assembleia da República.

O ministro adiantou que «há um ajustamento do ponto de vista orçamental no MAI», o que significa que haverá, em 2014, «um orçamento exigente para cumprir». «Mas não deixaremos de fazer os esforços que são necessários para que se faça o cumprimento desse orçamento», acrescentou.

Segundo a proposta de lei do OE para 2014, a área da Administração Interna terá 1.949 milhões de euros, verificando-se uma diminuição de 6,8 por cento face a 2013.

Questionado sobre se faltou peso político, Miguel Macedo respondeu: «A única coisa que falta em Portugal é dinheiro para pagar a despesas».

O ministro disse ainda que «é necessário fazer o ajustamento na despesa do Estado para garantir que possamos, no mais curto espaço de tempo possível, poder começar a fazer uma trajetória inversa daquela que tivemos que fazer na situação de emergência em que o país está».

Aos deputados, Miguel Macedo garantiu que, tendo embora um orçamento difícil para o próximo ano, não deixará de criar as condições para garantir a operacionalidade das forças de segurança.

O ministro destacou também o investimento feito este ano nos bombeiros, como o aumento em 11,3 por cento de verbas para as corporações.

No debate dominado pelas questões dos incêndios florestais, os partidos da oposição criticaram a ausência de investimento nos bombeiros e as mudanças feitas nas estruturas de comando da proteção civil, em vésperas da época mais crítica em fogos.

No plenário da Assembleia da Republica, Miguel Macedo afirmou que tem sido feito um «esforço muito significativo no reforço das corporações de bombeiros».

Como exemplo, o ministro disse que, este ano, as verbas para as corporações de bombeiros aumentaram em 11,3 por cento, no valor de 2,3 milhões de euros, além dos investimentos feitos na aquisição de rádios e de equipamento individual de proteção, no montante de 5 milhões de euros.

O ministro da Administração Interna adiantou ainda que foi aumentada, de 50 para 80 por cento, a comparticipação aos veículos dos bombeiros perdidos em acidentes operacionais.

O deputado do Partido Socialista Miguel Freitas criticou que as alterações nas estruturas dos comandos distritais da proteção civil tenham sido feitas próximo da época de incêndios, sublinhando que Miguel Macedo deveria assumir este erro, tendo em conta que é da sua responsabilidade a mudança.

O ministro respondeu que as alterações feitas mantiveram em 80 por cento a estrutura anterior e afirmou que os comandantes de agrupamento distrital já serviam anteriormente a proteção civil a nível distrital.

A deputada do Bloco de Esquerda Cecília Honório também criticou as articulações entre os comandos de agrupamento e distrital, e chamou a atenção do ministro para o argumento de que «a meteorologia não dá para tudo».

Na base desta afirmação está o facto de Miguel Macedo ter recordado que 2013 foi o segundo ano com maior severidade meteorológica desde 2003.

Miguel Macedo sustentou no entanto que não quer «virar a cara aos problemas que possam vir a surgir», esperando «serenamente» pela avaliação que a Autoridade Nacional de Proteção Civil está a fazer à época de fogos.