O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, fez esta terça-feira um «balanço positivo» da época crítica em incêndios florestais, considerando que «o tempo ajudou», mas o dispositivo de combate também esteve preparado.

«Os dados são muito positivos, temos um dos melhores anos das últimas décadas, quer em número de ocorrências, quer em área ardida. Estamos evidentemente satisfeitos, acho que o tempo ajudou, mas o dispositivo esteve também preparado para ocorrer com eficiência às ocorrências», disse aos jornalistas Miguel Macedo.

O ministro da Administração Interna, que esta terça-feira fez um balanço da fase «charlie» do Dispositivo Especial de Combate aos Incêndios Florestais (DECIF), que terminou a 30 de setembro, adiantou ainda que «os resultados são fracamente positivos em relação aos objetivos» traçados no início da época de fogos.

O dispositivo de combate a incêndios florestais custou este ano 85 milhões de euros, mais 14 milhões de euros do que em 2013.

Miguel Macedo referiu que ainda não feito o balanço final das despesas extraordinárias, devendo estar concluído no fim do mês de outubro, no entanto sublinhou, que «vai ser muito longe dos 14 milhões do ano passado».

O ministro referiu também que uma das poupanças passou pelos meios aéreos, uma vez que a atual modelo de contratação permite que as horas de voo não realizadas este ano possam ser acumuladas para os próximos.

O relatório provisório de incêndios florestais do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) indica que, entre 01 de janeiro e 30 de setembro, registaram-se 6.936 ocorrências de fogo, o menor número da última década.

Em comparação com o mesmo período de 2013, as ocorrências de fogo diminuíram este ano para mais de metade, adianta o relatório do ICNF, sublinhando que 2014 é o segundo ano com menor área ardida desde 2004, com 19.562 hectares de espaços florestais destruídos pelas chamas.

Segundo relatório, o ano com menos área ardida da última década foi 2008, com 13.542 hectares.

O documento indica também que os incêndios florestais consumiram, entre 01 de janeiro e 30 de setembro, 19.562 hectares, cerca de sete vezes menos do que no mesmo período de 2013, quando ardeu 149.245 hectares.

De acordo com o ICNF, este ano registaram-se 29 grandes incêndios, que queimaram 11.539 hectares de espaços florestais, cerca de 59 por cento do total da área ardida.

O maior incêndio verificou-se em Nisa, no distrito de Portalegre, a 25 de agosto, que consumiu uma área de espaços florestais de 2.268 hectares.