O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, manifestou-se preocupado por os bombeiros ainda não terem recebido, no início da época de fogos, os equipamentos de proteção individual das Comunidades Intermunicipais (CIM).

«São as CIM que ficaram com a responsabilidade de fazer as aquisições. Sei que todos [os concursos] estão a correr, mas é verdade que muitos ainda não foram entregues. Estou evidentemente preocupado e preferia que tivessem sido entregues», disse aos jornalistas Miguel Macedo, à margem da cerimónia de entrega de novas viaturas para a GNR.

No âmbito de um protocolo assinado com o Ministério da Administração Interna em 2013, as Comunidades Intermunicipais ficaram com a responsabilidade de dotar os bombeiros com equipamentos de proteção individual, que são compostos pelo fato, luvas, botas, capacete e máscara.

Segundo Miguel Macedo, os avisos desse concurso foram publicados em março de 2013, existindo apenas uma parte das corporações que já receberam os equipamentos de proteção individual.

«Confesso que não esperava que esse concurso, que ficou sob a responsabilidade das CIM e que foi lançado em março do ano passado, ainda não estivesse completamente concluído numa altura como esta», afirmou, recordando que a Autoridade Nacional de Proteção Civil lançou este ano um concurso adicional, mas os equipamentos de proteção individual só devem ser distribuídos em outubro ou novembro.

Questionado pelos jornalistas se está arrependido de ter feito o protocolo com as CIM, Miguel Macedo afirmou que «faz sentido» que essas aquisições sejam feitas pelas câmaras municipais, uma vez que têm responsabilidade e competências no domínio da proteção civil.

«Talvez pela juventude da CIM este procedimento não decorreu da forma célere que devia ter corrido», sustentou.

Sobre a época crítica de incêndios florestais, que começa na terça-feira e se prolonga até 30 de setembro, o ministro afirmou: «Fizemos aquilo que tínhamos de fazer na preparação desta época, mas, depois do ano passado, acho que devemos ser todos - eu sou o primeiro - a ser muito humildes no que se vai passar. Vamos ver».

Miguel Macedo avançou que se multiplicaram as ações de formação para os bombeiros, reforçou-se o dispositivo de máquinas de rasto e dos sistemas de comunicação, além do aumento de meios aéreos.

Durante a fase «Charlie» de combate a incêndios florestais, que decorre entre terça-feira e 30 de setembro, vão estar operacionais 2.220 equipas das diferentes forças envolvidas, 9.697 elementos, 2.027 veículos e 49 meios aéreos, além dos 237 postos de vigia da responsabilidade da GNR, segundo o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF).

O dispositivo de combate a incêndios florestais terá este ano um custo de 85 milhões de euros, mais 14 milhões de euros do que em 2013.