As Juntas de Freguesia de Lisboa comprometeram-se esta terça-feira a procurar casas no mercado imobiliário para disponibilizar a refugiados que se instalem na cidade, cujo arrendamento será subsidiado, durante dois anos, por estas autarquias ou particulares.

A ideia partiu da presidente da Assembleia Municipal de Lisboa (AML), Helena Roseta, e foi bem recebida pelos representantes das 24 freguesias e pelos partidos com assento na AML, que hoje se reuniram no Fórum Lisboa, no âmbito do grupo de trabalho de apoio aos refugiados na cidade.

“A minha proposta foi aceite […] no sentido de procurarmos alternativas de alojamento para o período de dois anos, sobretudo para famílias que venham, no sentido de não estarmos a retirar alojamento à habitação municipal que temos grandes carências em Lisboa. Há muitas famílias pobres em Lisboa à espera de casas da Câmara e não seria correto estarmos a passar [refugiados] à frente”, disse Helena Roseta, em declarações aos jornalistas.


Para a responsável, ficou claro “não só a unanimidade de todos relativamente à disponibilidade para acolher quem vem” como também a “disponibilidade das Juntas colocarem ao serviço das pessoas que virão os serviços [sociais] que já têm”, acrescentou a líder do movimento Cidadãos por Lisboa (eleitos nas listas socialistas).

Para já, as freguesias vão fazer um levantamento de “dois ou três fogos” disponíveis em cada zona para atribuir a refugiados, tendo a colaboração da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP).

O pagamento da renda deverá ser subsidiado, durante dois anos, pelas freguesias, mas estas poderão ser substituídas por empresas ou particulares.

Outra das ideias que esteve em cima da mesa, e que é “relativamente simples”, assenta na criação de um programa de padrinhos ou madrinhas para refugiados, também em articulação com as Juntas.

“Muitas pessoas que não têm grandes recursos poderão querer desempenhar essa função, de acompanhar uma família, uns estudantes ou umas crianças”, adiantou Helena Roseta.

Na ocasião, o presidente da Junta do Areeiro, Fernando Braamcamp (PSD), salientou que os refugiados “não são desgraçadinhos a quem se dá um ‘pratinho’ de sopa de manhã e à noite” e defendeu que se chamem à colaboração entidades como o Ministério da Educação e da Ciência e o Instituto do Emprego e da Formação Profissional.

Ao mesmo tempo, propôs que seja angariado mobiliário para estas casas.

O autarca do Lumiar, Pedro Delgado Alves (PS), adiantou que o agrupamento de escolas daquela zona vai receber três crianças sírias e outra de Eritreia.

De Arroios, a presidente, Margarida Martins (PS), sugeriu que sejam colocadas ao dispor dos refugiados casas militares no Paço da Rainha.

Os ministros do Interior dos 28 Estados membros da União Europeia aprovaram hoje por uma ampla maioria a distribuição entre eles de 120 mil refugiados, anunciou a presidência luxemburguesa da UE no Twitter.

A aprovação desta medida vinculativa para os 28 ignorou a oposição às quotas propostas por Bruxelas de vários países do leste europeu, que votaram contra: Eslováquia, Roménia, República Checa e Hungria, ao passo que a Finlândia se absteve.

Portugal deverá receber entre 4.500 a 5.000 refugiados, disse hoje a ministra da Administração Interna, Anabela Rodrigues.

Destes, cerca de 500 deverão vir para Lisboa.

Lisboa preparada para receber primeiros refugiados no final de outubro

O vereador dos Direitos Sociais da Câmara de Lisboa disseque a autarquia vai estar preparada para receber os primeiros refugiados “no final de outubro”, estando já definido um programa municipal de acolhimento.

“Não interessa se eles chegam, mas acho que temos de estar preparados no final de outubro para essa eventualidade”, declarou João Afonso em declarações aos jornalistas no final da reunião do primeiro grupo de trabalho de apoio aos refugiados em Lisboa, que juntou hoje Juntas de Freguesia, deputados municipais e a Câmara.