O presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio da Cruz Fonseca, disse nesta sexta-feira, véspera do Dia Internacional da Caridade, que a instituição vai canalizar parte da verba da campanha de Natal para o acolhimento de refugiados sírios.

Em declarações à agência Lusa a propósito do Dia Internacional da Caridade, que se assinala sábado, Eugénio da Cruz Fonseca adiantou que, além da campanha, a Cáritas está também a fazer um levantamento de casas devolutas.

“Neste momento estamos a identificar potenciais recursos que possam ajudar ao acolhimento das pessoas que vierem para Portugal. Nós não aceitamos campos de refugiados, estamos a falar de pessoas. Não se justifica quando há tanta casa devoluta neste país que se coloquem famílias em tendas ou contentores, mesmo que seja feito em nome do provisório”, sublinhou.

O responsável adiantou também que parte do valor angariado na Campanha de Natal da Cáritas “Operação 10 Milhões de Estrelas” será canalizado para a causa dos refugiados, para satisfazer as necessidades primárias de subsistência e acolhimento das pessoas.

“Estamos também à procura de pessoas que depois da chegada dos refugiados queiram apoiar no ensino da língua portuguesa e que sejam guias de cidadania. Vão precisar de quem os leve aos centros de saúde, ao supermercado, etc”, observou.

Na opinião do presidente da Cáritas, todo o mundo deve envolver-se para responder ao problema e não só a Europa, defendendo também que as Nações Unidas devem ter um papel mais preponderante.

“Ninguém deve ficar indiferente. É proibido, desumano e criminoso ficar indiferente a esta situação. Este não é apenas um problema da Europa é também do mundo. Por isso, é necessário que as Nações Unidas tenham um papel mais preponderante e que envolvam outros países que também têm responsabilidade no que está a acontecer”, disse o presidente da Cáritas.

Eugénio da Cruz Fonseca considera que o Dia Internacional da Caridade assume “neste momento outra dimensão”, tendo em conta o que se está a passar com os milhares de refugiados que tentam chegar à Europa.

“Neste momento temos é de salvar estas vidas do martírio e da fome e, enquanto isso não acontecer não estaremos seguros. Não basta, querer o controle das fronteiras, porque quando o estômago grita e quando os medos nos atormentam não há barreiras que possam vedar a passagem seja de quem for”, salientou.

Por isso, refere o responsável, “este ano, não se pode assinalar a efeméride sem dirigirmos o nosso olhar e coração indignados para a chacina que o mundo está a permitir, tornando-se cúmplice da morte de tantas vidas que mais não querem do que se refugiar do medo da morte, de torturas várias, de falta de condições mínimas de subsistência”.

No entender de Eugénio da Cruz Fonseca, é urgente acautelar as condições de sobrevivência dos refugiados, criando condições dignas de acolhimento.