O diretor da Obra Católica Portuguesa de Migrações (OCPM) defendeu, este sábado, que os imigrantes ilegais provenientes do Norte de África e Médio Oriente que têm chegado às costas europeias devem ser considerados refugiados pois tentam escapar da guerra.

Francisco Sales Diniz, que falava à Lusa a propósito dos casos ocorridos nos últimos dias em que dois navios com centenas de imigrantes a bordo foram abandonados pela tripulação no Mediterrâneo, considerou que se trata da «continuidade de um drama» agravado pelos conflitos.

«O que se está a passar possivelmente é o agravamento da situação em alguns países, como é o caso da Síria em que muita pessoas tentam fugir arriscando tudo para chegar a uma terra onde possam encontrar paz e condições de vida melhores para viver», frisou o sacerdote, lembrando que o regime do antigo ditador líbio Muammar Kadafi conseguia «bloquear mais a imigração».

O responsável da OCPM considerou que o que está em causa é «o tráfico de pessoas humanas que se deixam iludir por promessas e arriscam a própria vida» por não terem esperança nem futuro.

«Na situação desesperante em que essas populações vivem não têm nada a perder porque estão em risco de perder a própria vida», reforçou.

«Humanamente falando, nós temos de os acolher e, se calhar as Nações Unidas têm de olhar para eles mais como refugiados do que como imigrantes ilegais porque as pessoas estão à procura de refúgio para a sua situação desesperante», acrescentou.

Frei Francisco Sales Diniz apelou a uma atitude diferente por parte da comunidade internacional para tentar resolver a situação no Norte de África, no Magrebe e na Síria.

«Continuamos a ver ditadores e estados a destruírem as populações com guerras e violência apenas para manterem o poder e muitos governantes a apoderarem-se da riqueza que devia ser para o desenvolvimento das populações, quando a maioria das populações [desses países] vivem na miséria e, por isso, procuram refúgio», destacou.

Um dos navios interceptados esta semana ao largo de Itália, com 450 imigrantes, estava matriculado na Serra Leoa, enquanto um outro, detetado junto à costa grega, transportava perto de 800 passageiros, na maioria sírios.

Há vários anos que a Itália assiste a um fluxo crescente de migrantes que procuram chegar à Europa através do Mediterrâneo, a um ritmo de 400 chegadas por dia.

As autoridades italianas estão preocupadas com esta tendência que poderá aumentar significativamente a entrada de imigrantes, atualmente já muito significativa. Em 2014, o total das chegadas de imigrantes superou as 160 mil, sendo mais de metade sírios ou eritreus.