O alto-comissário para as Migrações, Pedro Calado, considerou, nesta quarta-feira, que "a solidariedade, um dos princípios basilares da União Europeia, está fortemente posta em causa", já que poucos são os refugiados que têm sido acolhidos na Europa.

Pedro Calado, que falou hoje num debate em Cascais sobre "A Europa face às causas e desafios do fluxo migratório - refugiados", adiantou que, no ano passado, chegaram 1,2 milhões de refugiados ao continente europeu, sendo que poucos são os países disponíveis para o acolhimento.

A maior parte das pessoas que está a chegar é acolhida por três ou quatro países, como a Alemanha, Hungria e Suécia. Num continente com mais de 500 milhões de pessoas, isto de não sermos capazes de os recolocar de forma equitativa mostra que alguma coisa não está bem", afirmou.

O responsável sublinhou que "tudo seria gerível se todos fizessem a sua parte" e sublinhou o "lado humano" com que é preciso olhar para a questão dos refugiados.

É preciso fazer um exercício de reflexão e colocarmo-nos no lugar das pessoas que são vítimas de violência, que têm as suas casas destruídas, que põe os seus pertences num saco e questionam: ficamos ou partimos? É a pergunta que os 22 milhões de sírios se colocam há muitos anos e se nós não conseguirmos fazer esta pergunta não conseguimos avançar", frisou.

Pedro Calado adiantou ainda que cerca de 12 milhões de sírios partiram dos seus locais de residência e 10 milhões escolheram ficar.

Dos que partiram, apenas cerca de quatro milhões estão em países vizinhos (1,5 milhões na Turquia, 1,1 milhão no Líbano, 600 mil na Jordânia e 142 mil no Egito).

O debate sobre "Europa, Migrantes e Interculturalismo", que decorre esta manhã no Centro Cultural de Cascais, tem como objetivo refletir sobre o fluxo migratório dos refugiados e as questões que se colocam na forma como se vive na Europa e no Mundo.

O encontro, promovido pela Cáritas Diocesana de Lisboa em parceria com a Câmara de Cascais, pretende também discutir a necessidade de construção de sociedades plurais, ativamente inclusivas e interativas pela via do interculturalismo.

O presidente da Câmara de Cascais sublinhou que "a Europa acordou tarde para os problemas das migrações" e mostrou "vontade de ser um parceiro ativo" no apoio aos refugiados.