O centro de acolhimento temporário para refugiados da cidade de Lisboa vai receber, na próxima semana, sete pessoas provenientes da Eritreia, anunciou esta segunda-feira o presidente da Câmara Municipal durante a inauguração do espaço.

"Já está definido, é um contingente de cerca de 30 pessoas que chegarão a Portugal, e são cerca de sete que chegarão aqui a Lisboa na próxima semana", afirmou Fernando Medina aos jornalistas, quando questionado relativamente às primeiras pessoas a ocupar o centro.

De acordo com a Lusa, o presidente referiu também que este primeiro contingente de refugiados tem "a sua origem na Eritreia [país do continente africano]", não especificando o dia da chegada do grupo à capital.

"O que este centro tem é uma missão muito específica, é ser um centro de primeira linha, do primeiro acolhimento para quando as pessoas chegam a Portugal, chegam a Lisboa, encontrarem aqui a sua porta de entrada do ponto de vista do alojamento nos primeiros dias", considerou Fernando Medina.

A autarquia prevê que cada refugiado esteja entre uma e três semanas no centro, onde será contemplada a aprendizagem da língua, mas também de "aspetos fundamentais de organização do país e da cidade, para que depois possam ser recolocados e possam ser alojados em localizações mais definitivas, seja na cidade de Lisboa, seja noutras cidades".

O centro de acolhimento temporário para refugiados conta com 24 camas (em quartos com características familiares e camaratas), cozinha, biblioteca, espaços de convívio, salas para formação, jardim, espaço para oração e gabinete médico.

"O investimento total na recuperação destas instalações ronda os 120 mil euros", afirmou o presidente da Câmara, acrescentando ter havido "também uma participação adicional da Junta de Freguesia [do Lumiar] na recuperação do espaço exterior e dos jardins, de cerca de 20 mil euros".

Quanto ao número de pessoas necessárias para o centro funcionar, Medina afirmou que isso estará dependente da ocupação que o espaço tiver.

Discursando na cerimónia, o vereador dos Direitos Sociais do município, João Afonso, afirmou que "o investimento aqui feito é no sentido de criar um centro de recursos municipal polivalente e de gestão partilhada para a promoção da inclusão e da não-discriminação".

"Nasce assim, aqui e hoje, um espaço municipal que tem como missão a defesa dos direitos humanos, e que dá vida a um edifício cuja missão vá para além do atual projeto de apoio ao acolhimento de refugiados", disse, acrescentando que foi aberto "em boa hora".

João Afonso advogou também ser "uma das missões das autarquias locais […] contribuir para o esforço nacional de dar uma resposta à crise humanitária dos refugiados", mostrando vontade de que "quem chegue se torne um lisboeta".

Este projeto insere-se no Programa Municipal de Acolhimento de Refugiados na Cidade de Lisboa, que prevê o "acolhimento, acompanhamento e integração" destas pessoas.