O saldo migratório de Portugal continuou a ser negativo em 2014, conclui um relatório da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE), divulgado esta segunda-feira.

Segundo a edição de 2016 do relatório “International Migration Outlook” (Perspetivas das Migrações Internacionais), o saldo – que ronda as 30 mil pessoas – tem melhorado ligeiramente, se comparado com os dois anos anteriores, mas o impacto da crise económica ainda se reflete num “declínio contínuo da imigração estrangeira” desde 2009.

Ao mesmo tempo, a emigração laboral dos portugueses tem aumentado, para “níveis similares aos do intenso ciclo migratório dos portugueses para a Europa, nas décadas de 1960 e 1970”, compara a organização.

Porém, assinala o relatório, os emigrantes que começaram a deixar o país em 2008 começam a dar sinais de alguma desaceleração (de 53.800 emigrantes de longo prazo em 2015, para 49.600 em 2014).

O relatório da OCDE traça-lhes o retrato como preferindo os países da União Europeia e sendo maioritariamente homens, mas assinala que a percentagem de mulheres – tanto em fluxos permanentes como temporários – está a crescer e que elas são “muito mais qualificadas do que os homens”.

No que à imigração diz respeito, o Brasil continua a ser a principal fonte de origem, mas em tendência cada vez mais decrescente.

Tanto o fluxo de imigrantes de países do Leste da Europa, como o movimento de países africanos de língua portuguesa têm também diminuído.

Subidas, nas entradas registadas em 2014, só no número de cidadãos da União Europeia e nos oriundos de países asiáticos (nomeadamente de China, Tailândia e Nepal). Quatro em cinco vistos para investimento e negócio são detidos por chineses, refere o relatório.

Já a percentagem de pedidos de asilo disparou em Portugal (recorde-se que o país tinha números muito insignificantes, no contexto europeu), revelando um aumento de quase 90 por cento em 2014.

Mesmo assim, em Portugal, os 772 refugiados (segundo os números citados no relatório da OCDE) representam 0,07 por cento da população total, o que, em termos proporcionais, está acima, no espaço da OCDE, apenas de três países: Nova Zelândia, Eslováquia e Japão.

Portugal aceitou receber uma quota de 4600 refugiados, ao abrigo dos programas de recolocação da União Europeia.