O Metropolitano de Lisboa decidiu parar a circulação e encerrar as estações a partir das 23:15 desta segunda-feira devido à greve convocada pelos sindicatos dos trabalhadores, anunciou a empresa.

Fonte oficial do Metro adiantou à agência Lusa que esta tomada de posição face à greve de 24 horas decretada pelos sindicatos a partir das 06:30 de terça-feira, «para não criar falsas expetativas aos clientes do Metro».

«A empresa tinha expectativas que os horários da greve abragessem o período a partir das 06:30 de terça-feira, mas isso iria acontecer a partir já dos últimos turnos de hoje, pelo que o Metro optou por suspender a operação a partir das 23:15 de hoje», explicou a fonte, acrescentando que é retomada a circulação a partir das 06:30 de quarta-feira, 22 de outubro.

Arménio Carlos juntou-se aos trabalhadores em luta. «Este Governo continua fortemente empenhado em privatizar estas empresas e fazer delas um instrumento de negócio», declarou aos jornalistas.

O sindicalista lembrou que os trabalhadores do Metropolitano viram ser-lhes retirados direitos como o complemento de reforma, além de que não verem os salários aumentados há anos.

Para Arménio Carlos, a luta dos trabalhadores do metro «é também uma luta da população de Lisboa contra a entrega da empresa à iniciativa privada».

«Esta é uma luta de grande significado. Os trabalhadores do Metropolitano estão a lutar pelos seus direitos e a lutar pela população de Lisboa, em defesa de um serviço público e de qualidade», frisou o sindicalista, à porta das instalações do Metro onde se juntou a trabalhadores que integravam um piquete de greve.

À semelhança do que aconteceu em greves anteriores, durante o período da greve, a rodoviária Carris vai reforçar algumas das suas carreiras coincidentes com os eixos servidos pelo Metro, nomeadamente as 726 (Sapadores-Pontinha), 736 (Cais do Sodré-Odivelas), 744 (Marquês de Pombal-Moscavide) e 746 (Marquês de Pombal-Estação da Damaia).

Esse reforço vai ser feito através de um número suplementar de autocarros, pelo que não será afetado o planeamento do serviço normal da Carris, indicou o metro em comunicado.

Os trabalhadores do Metro iniciavam às 00:00 de terça-feira uma greve de 24 horas contra a concessão da empresa a privados e a perda de condições de trabalho.

Segundo a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS), esta é «a continuação da luta em defesa» da permanência do Metro no setor empresarial do Estado, depois de o Governo ter anunciado que o concurso para concessão da empresa e da Carris – por um período mínimo de nove anos - deverá ser lançado no final deste mês ou no início de novembro.