A quantidade de chuva que caiu terça e quarta-feira nas regiões a norte do Mondego acabou com a situação de seca na região noroeste do país, disse nesta sexta-feira à Lusa a meteorologista Fátima Espírito Santo.

“As quantidades de precipitação foram muito elevadas na região norte e centro e, nessas zonas, a situação de seca desagravou-se substancialmente e podemos dizer que a seca terminou no noroeste do território”, declarou à agência Lusa a meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), sublinhando que a situação de seca se mantém no resto do país.

De acordo com a meteorologista, a quantidade de precipitação ocorrida nos dias 15 e 16 deste mês nas regiões e norte do Mondego foi “bastante intensa”, lembrando que a precipitação ocorrida em 24 horas, dependendo do local, foi “cerca de uma vez e meia a duas vezes superior ao valor medio do mês, o que mostra o caráter excecional da quantidade de precipitação em 24 horas”.

O território nacional foi afetado terça e quarta-feira por "um sistema depressionário, com um sistema frontal associado", que veio originar precipitação forte e persistente nas regiões do norte e centro, em especial a norte do Mondego.

Fátima Espirito Santo adiantou que o mês de setembro de 2014 foi o quinto mais chuvoso desde 1931 em todo o território nacional, ao contrário do que aconteceu esta semana cuja precipitação ocorreu sobretudo durante 24 horas e no norte do país.

“Em setembro deste ano [a chuva caiu sobretudo] nas regiões de norte e centro, em setembro de 2014, a precipitação não foi só em dois dias e foi em praticamente em todo o território nacional, o que ainda não aconteceu até agora”, sublinhou.

Além da elevada precipitação, também o vento soprou forte a partir do final de terça-feira dia 15 de setembro, "observando-se intensidades do vento entre 40 e 55 km/h nas terras altas e em alguns locais do litoral norte e centro".

Os valores máximos de rajada ocorreram no final do dia 15 e madrugada do dia 16, tendo-se registado valores da ordem de 90km/h ou superior em vários locais, nomeadamente, 100 km/h no Mogadouro, 99km/h na Pampilhosa da Serra, 92 km/h em Cabeceiras de Basto e Penhas Douradas.

Na costa ocidental portuguesa, na bóia de Leixões do Instituto Hidrográfico, foram registadas naqueles dois dias ondas "com altura significativa de 4,5 metros e altura máxima de 7 metros", de acordo com a informação disponibilizada na página do IPMA.

Esta tendência da semana inverte-se a partir de hoje, com o IPMA a dizer que o fim de semana vai ser marcado pelo bom tempo, prevendo-se céu pouco nublado, com temperaturas máximas a variar entre os 29 e os 31 graus na generalidade do território, apesar de as mínimas não sofrerem "grande alterações", sem ultrapassarem os 15 graus Celsius.