Merkel «vem observar ruínas em que deixou economia»

Subscritores de carta dizem que chanceler alemã não é bem-vinda a Portugal

Por: tvi24    |   7 de Novembro de 2012 às 14:02
Mais de uma centena de portugueses e estrangeiros subscreveram uma carta aberta a Angela Merkel, dizendo que a chanceler alemã e a sua comitiva não são bem-vindos a Portugal e que vêm «observar as ruínas», noticia a Lusa.

«Pelo caráter da visita anunciada e perante a grave situação económica e social vivida em Portugal, afirmamos que não é bem-vinda», escrevem os subscritores, depois de fazerem questão de sublinhar que Angela Merkel é apenas a chanceler da Alemanha e não da Europa.

A chanceler, que visita Portugal no dia 12, «deve ser considerada persona non grata em território português porque vem, claramente, interferir nas decisões do Estado Português sem ter sido democraticamente mandatada por quem aqui vive», defende quem assina a carta, disponível no endereço http://carachancelermerkel.blogspot.pt/2012/11/carta-aberta-angela-merkel.html.

Depois de acusarem o atual governo português de ter deixado «de obedecer às leis deste país e à Constituição da República», os subscritores consideram que a presença de vários grandes empresários na comitiva de Merkel «é um ultraje».

«Sob o disfarce de "investimento estrangeiro", a senhora chanceler trará consigo uma série de pessoas que vêm observar as ruínas em que a sua política deixou a economia portuguesa, além da grega, da irlandesa, da italiana e da espanhola. A sua comitiva junta não só quem coagiu o Estado Português, com a conivência do governo, a privatizar o seu património e bens mais preciosos, como potenciais beneficiários desse património e de bens públicos, comprando-os hoje a preço de saldo», lê-se na carta assinada por professores, jornalistas, escritores, artistas, médicos.

Para os subscritores, Merkel é a «promotora máxima da doutrina neoliberal que está a arruinar a Europa» e não pode decidir o que fazer em Portugal: «Neste país onde vivemos, o seu nome nunca esteve em nenhuma urna. Não a elegemos. Como tal, não lhe reconhecemos o direito de nos representar e menos ainda de tomar decisões políticas em nosso nome».

Na carta é ainda feita uma referência à greve geral marcada para 14 de novembro, que será contra a austeridade e «contra governos que traíram e traem a confiança».

Mas, garantem, será também uma manifestação contra Angela Merkel, «contra a austeridade imposta pela "troika" e por todos aqueles que a pretendem transformar em regime autoritário».

Os subscritores admitem não ter resposta à carta, apesar de estar escrita também em espanhol, alemão, francês, grego, italiano e inglês. No entanto, deixam o alerta: «A sua comitiva poderá tentar ignorar-nos. A Comissão Europeia, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu podem tentar ignorar-nos. Mas somos cada vez mais, senhora Merkel. Aqui e em todos os países. As nossas manifestações e protestos terão cada vez mais força».

Lembrando que o governo português, «subserviente, fraco e débil», deverá receber Merkel «entre flores e aplausos», os subscritores garantem que haverá manifestações «em todo o país», mesmo que a chanceler escolha «um percurso secreto e um aeroporto privado, para não enfrentar manifestações e protestos contra a sua visita».

«Acordámos, senhora Merkel. Seja mal-vinda a Portugal», é a última frase da carta aberta subscrita por personalidades como a escritora Alice Vieira, o realizador António Pedro Vasconcelos, o jornalista Daniel Oliveira, o historiador Fernando Rosas, o antropólogo José Gabriel Pereira Bastos, a médica Isabel do Carlo, o sociólogo António Pedro Dores e o cantor Carlos Mendes, entre muitos outros.
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