Polícia Judiciária (PJ) anunciou, esta quinta-feira, que apreendeu “uma panóplia de armas", que eram adquiridas através da internet, muitas delas transformadas e novamente vendidas, numa operação que decorreu em todo o país e terminou com nove detidos.

Em conferência de imprensa realizada na PJ, o inspetor-chefe Vitor Matos, da Unidade Nacional Contra Terrorismo (UNCT) desta força de investigação criminal, adiantou que, dos nove detidos, quatro vão ser levados perante um juiz, tendo sido libertados os restantes cinco, depois de ouvidos pelo Ministério Público e interrogados pela PJ.

Os nove detidos não tinham qualquer ligação entre si, apenas compravam armas, através da Internet, à mesma empresa com sede num país europeu.

Os detidos tinham "como ‘modus operandi’ a compra e vendas de armas de classe A, ou armas que foram de fogo e depois inutilizadas, e que eram vendidas por uma empresa europeia, via internet”, explicou Vitor Matos.

O inspetor-chefe da PJ adiantou que alguns dos detidos “compravam armas de classe A, tipo bastões, soqueiras ou gás pimenta, enquanto outros compravam armas que eram reproduções de armas de fogo e que facilmente se transformavam novamente em armas reais”.

Vitor Matos afirmou que existiam duas formas de atuação: os que adquiriam armas para revenda, e ter “um enriquecimento ilegítimo”, e os “curiosos que compravam o bastão e o 'spray' para ter em casa e, muitas vezes, desconheciam que a sua aquisição e posse é crime”.

No âmbito da operação, que decorreu na quarta-feira, a PJ realizou 30 buscas domiciliárias, tendo apreendido, segundo o inspetor-chefe da PJ, “uma panóplia de armas”, desde pistolas-metralhadoras e armas desativadas, com configuração militar, a armas de alarme, 'brancas' e bastões extensíveis.

No entanto, avançou, a maioria delas era “suscetível de alteração de armas de fogo”, ou seja, de voltarem a ser “armas reais e letais”.

“A intenção era transformá-las em armas de fogo real”, sustentou, realçando que muitas das armas são de calibre de guerra e com poder de fogo elevado.

A investigação, que teve início há mais de um ano, começou com uma cooperação internacional policial, tendo a PJ desenvolvido a operação com base na informação recolhida junto da empresa, através de uma carta rogatória.

Fomos a esse país, a empresa foi contactada e vimos os registos de todos os compradores portugueses ou de cidadãos que se encontravam em território nacional e que adquiriram armas através da internet”, explicou.

De acordo com Vítor Matos, a PJ identificou todos os cidadãos residentes em Portugal que compraram armas através da internet a essa empresa.

As armas chegavam Portugal através de empresas transportadoras e os pagamentos eram os mais diversos.

O inspetor-chefe da PJ disse ainda que a investigação permitiu concluir que “algumas das armas foram compradas no estrangeiro, vieram para Portugal, onde foram alteradas, e foram novamente vendidas via internet para o estrangeiro”.