Investigadores do Observatório dos Recursos Educativos, sediado no Porto, apresentaram esta quinta-feira um conjunto de medidas para ajudar a resolver o problema do excesso de peso das mochilas escolares, como a atribuição de um cacifo por aluno e de uma sala fixa por turma. 

Num trabalho designado “O Peso das Mochilas Escolares: contributos para uma reflexão fundamentada”, realizado pelos investigadores Adalberto Dias de Carvalho e Nuno Fadigas, a que a Lusa teve acesso, são propostas várias medidas para reduzir os efeitos na saúde das crianças do excesso de peso das mochilas.

De acordo com estes investigadores, as mochilas apresentam muitas vezes um peso superior ao que é clinicamente recomendado (10% a 15% do total do peso corporal, entre crianças e adolescentes).

Os autores lembram que este excesso de peso das mochilas contribui para a ocorrência de problemas de saúde de crianças e jovens, designadamente dores nas costas, alterações na marcha e postura deficiente, conforme conclusões de diversos estudos, designadamente da Organização Mundial de Saúde.

Na escola, os investigadores propõem a atribuição de um cacifo por aluno, uma sala fixa por turma, de modo a diminuir as deslocações na escola com a mochila, e a organização de horários capazes de minimizar as solicitações de material escolar por dia.

Os autores também defendem que a escola deve enviar aos pais, logo no início do ano letivo, uma lista com todo o material escolar necessário para as aulas e o seu escalonamento temporal.

O estudo também refere que é necessário esclarecer os encarregados de educação sobre como ajudar as crianças e os jovens a “preparar a mochila”, sobretudo nos 1.º e 2.º ciclos.

Os investigadores recomendadam a monitorização do peso das mochilas na escola, através da disponibilização de uma balança por sala, uma contenção dos TPC, o que permite que os alunos não tenham de transportar todos os manuais para casa, e uma valorização da disciplina de Educação Física, como forma de criar hábitos e posturas mais saudáveis. 

O relatório sugere ainda às editoras uma mudança de formato no fabrico dos manuais: a divisão dos manuais em fascículos e o uso de papel com uma gramagem mais leve.

Já aos fabricantes de mochilas, os estudo apela a uma “valorização prioritária dos aspetos ergonómicos”