O Governo solicitou ao INAC (Instituto de Aviação Civil), esta quinta-feira, recomendações sobre uma eventual necessidade de reforçar as medidas de segurança durante o voo. O secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, confirmou o pedido em declarações à 25ª Hora, da TVI24.

«O Governo entendeu dever pedir ao INAC, porque se trata de uma matéria técnica, para avaliar as condições atuais de segurança das companhias aéreas que operam em Portugal e, se entender conveniente, que formule recomendações ao Governo sobre o reforço dessa segurança no voo para que o Governo possa ponderar e sobre elas decidir.»


Sérgio Monteiro explicou que a solicitação surge «na sequência das notícias que foram conhecidas, quer de governos de outros países, no caso o Canadá, quer de decisões de próprias companhias europeias, de tomarem medidas de reforçar a segurança de voo».

«O transporte aéreo tem tido um contributo extraordinário quer no crescimento do turismo em Portugal quer na recuperação económica e queremos que continue a fazer parte dessa recuperação. Os governos estão a fazer o que lhes compete, no sentido de dar essa tranquilidade adicional às pessoas.»


A Associação de Pilotos Portugueses de Linha Aérea discorda do sistema de funcionamento da porta do cockpit. Numa entrevista no Jornal das 8 da TVI, o presidente da associação, Miguel Silveira, explicou que o sistema foi implementado depois do 11 de setembro e que já na altura a associação se mostrou contra.

«Se a ameaça passasse do exterior para o interior então a porta ficaria a proteger a própria ameaça. Na altura não houve consenso entre as associações de pilotos, a regulamentação internacional caminhou para isso em grande parte por causa dos americanos».


Esta quinta-feira as companhias aéreas Easyjet, Norwegian, Icelandair e Air Transat anunciaram que passaram a impor a presença em permanência de duas pessoas no cockpit dos aviões, numa reação à informação de que o acidente da Germanwings foi provocado pelo copiloto.

E depois destas companhias aéreas, o Canadá, através da ministra dos Transportes Lisa Raitt, anunciou que as companhias canadianas vão ser obrigadas a ter sempre duas pessoas no cockpit. As duas maiores companhias canadianas são a AirCanada e a WestJetAirlines

As medidas foram tomadas no seguimento da revelação brutal de que o copiloto Andreas Lubitz provocou, deliberadamente, a queda do  Airbus A320 da Germanwings nos Alpes franceses com 150 pessoas a bordo. Uma conclusão retirada a partir da análise da gravação do som do cockpit, que indicou ainda que Lubitz estava sozinho no cockpit, depois de impedir a entrada do piloto.

O procurador de Marselha explicou que a decisão de quebrar a barreira de segurança, ao carregar no botão que baixa a altitude do avião, foi um «ato voluntário» que indica que o copiloto teve a intenção de provocar o acidente.

Entretanto, da Alemanha surgem informações de que o Lubitz terá sofrido de depressão em 2009 e que terá sido mesmo um esgotamento nervoso a razão pela qual interrompeu a formação na escola da Lufhtansa.