O Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos (CRN-OM) alertou hoje que 15 mil utentes vão ficar médico de família devido às 21 vagas alocadas à região no concurso para profissionais de Medicina Geral e Familiar.

«Serão cerca de 15 mil utentes a quem foi atribuído um médico de família que voltarão a não ter quem os acompanhe», lamenta o CRN-OM em comunicado, explicando que o concurso que hoje termina retira ao Norte oito médicos.

O CRN-OM explica que, em outubro, «terminaram a formação específica em Medicina Geral e Familiar» 29 internos que assumiram de imediato «ficheiros de utentes», se apresentaram como «os seus novos médicos de família» e começaram a «estudá-los e acompanhá-los».

Agora, no concurso que hoje termina para assinatura de contratos vinculativos, o Norte fica apenas com 21 vagas, alerta a entidade representante dos médicos do Norte.

Considerando estar em causa «uma falta de respeito para com os doentes e para com os profissionais de saúde», a ordem dos médicos do Norte avisa ter por intenção «desenvolver todos os esforços para defender os doentes e combater a ilegalidade e falta de equidade deste tipo de concursos».

«O CRN-OM considera inaceitável a retirada de recursos necessários no Norte do país para outras regiões, obrigando recém especialistas a saírem de locais onde são necessários e onde assumiram já listas de utentes, que se verão de novo sem médico de família», escreve-se no comunicado.

A ordem dos médicos do Norte avisa ainda que esta região é «a única que aloca profissionais recém-especialistas após a conclusão do internato para locais onde há falta de médicos de família enquanto aguardam colocação definitiva».

O CRN-OM sublinha que, «pela primeira vez, a responsabilidade destes concursos ficou sediada na Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS)», entidade que, no “documento justificativo de atribuição de vagas pelas várias Administrações Regionais de Saúde (ARS), assume que o Norte tem uma carência de 144 médicos de família.

O ministro da Saúde garantiu na quinta-feira que nenhum centro de saúde vai reduzir horários ou encerrar serviços, pelo menos até final de março, e que podem até estender os horários sempre que necessário.

Paulo Macedo falava aos jornalistas no final de um debate agendado pelo PS sobre as situações vividas em alguns serviços hospitalares, com longas horas de espera, desmentindo uma notícia sobre o alegado encerramento de serviços em centros de saúde na ARS do Norte.

Sobre a falta de profissionais nos serviços, o ministro reiterou o investimento que o seu Governo tem feito nesta área, recordando que desde 31 de dezembro de 2010 foram contratados cerca de 2.500 médicos e que mais 1.840 clínicos foram recentemente recrutados.

O governante anunciou que será ainda este mês aberto um novo concurso para 200 médicos de medicina geral e familiar, também aberto a médicos que exercem no setor privado.

No último concurso para esta especialização, que decorreu em 2014, cerca de 50 profissionais que trabalhavam em unidades do setor privado optaram por ir trabalhar no SNS, disse.

O alargamento das 35 para as 40 horas de trabalho também deverão ajudar a suprimir a falta de médicos, adiantou o ministro.