A Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) e o colégio desta especialidade acusam a Sociedade Portuguesa de Reumatologia (SPR) de “grave infração ao código deontológico” por criticarem o atendimento de doentes reumatológicos por especialistas em medicina interna.

A SPR divulgou há uma semana um comunicado a denunciar que as doenças do foro reumatológico estão a ser encaminhadas para as consultas de doenças autoimunes, situação que classificou como “grave”.

Tais consultas, sendo asseguradas exclusivamente por médicos especialistas em Medicina Interna, colocam em causa a lógica de diferenciação de saberes que subjaz à medicina contemporânea, comprometendo a saúde dos doentes e os seus direitos mais elementares”, prosseguiu a SPR, acrescentando que já tinha denunciado esta situação ao ministro da Saúde.

Em resposta ao que classificou de “ataque à medicina interna”, a SPMI recorda que “a medicina interna é uma especialidade nuclear no sistema de saúde português”.

Em Portugal, os serviços de medicina interna asseguram consultas de doenças autoimunes em todos os hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e é graças a estas consultas que milhares de doentes têm acesso a uma abordagem diferenciada e a terapêuticas inovadoras”, lê-se num comunicado desta organização.

Para a SPMI, “a SPR, com esta posição não fundamentada cientificamente, presta um mau serviço aos doentes, revela um comportamento eticamente reprovável e uma absoluta ausência de escrúpulos na defesa de interesses corporativos”.

“Da mesma forma que a pessoa não é uma soma de órgãos ou sistemas estanques, nem sofre apenas de patologia orgânica, também as especialidades médicas têm que reconhecer áreas de sobreposição, entre si e com as especialidades generalistas. Essas sobreposições são naturais e são usualmente geridas de forma civilizada e deontologicamente responsável no contexto da atividade hospitalar”, conclui o comunicado da SPMI.