O bastonário da Ordem dos Médicos classificou, esta segunda-feira, o guião da reforma do Estado na área da saúde como um documento de «uma pobreza intelectual confrangedora», confessando que teria vergonha de o apresentar.

José Manuel Silva centrou parte do seu discurso de lançamento da recandidatura a bastonário no guião da reforma do Estado apresentado na semana passada pelo vice primeiro-ministro, Paulo Portas.

«Na área da saúde foi uma desilusão total. O guião é de uma pobreza intelectual tão confrangedora e de uma indefinição tão impressionante, essencialmente constituído por um conjunto de frases feitas e afirmações vazias de conteúdo, que eu teria vergonha em apresentá-lo», afirmou o bastonário, que se recandidata a um segundo mandato.

Para José Manuel Silva, continua sem se perceber que política de saúde e que Serviço Nacional de Saúde (SNS) pretende o Governo, embora «cada vez mais se subentenda» a filosofia do Estado mínimo.

José Manuel Silva mostrou-se disponível para colaborar com o Executivo na produção de um documento «que norteie o futuro da saúde em Portugal», desafiando o ministro da Saúde e o vice primeiro-ministro para um debate sobre a política de saúde.

Para os próximos três anos, o bastonário promete que a Ordem dos Médicos estará «mais vezes» no terreno, próxima de médicos e doentes, para combater os «problemas reais, que são muito graves».

No seu entender, aliás, os próximos tempos «serão ainda mais complicados e desafiantes do que os anos mais recentes», com muitos desafios na área da saúde.

Entre eles, salientou «as interferências» na relação médico-doente e na prescrição médica, os cortes «excessivos e avulsos», o aumento das taxas de mortalidade infantil e das listas de espera cirúrgica e as dificuldades de acesso à inovação terapêutica.

José Manuel Silva é o único candidato a bastonário da Ordem dos Médicos na eleição que decorrerá a 12 de dezembro.