Os centros de saúde da região de Lisboa e Vale do Tejo que abriram em horário adicional devido à atividade gripal realizaram 4.877 consultas no último fim de semana, anunciou esta segunda-feira a Administração Regional de Saúde (ARSLVT).

Tendo em conta "o período de inverno e o esperado pico da gripe", o presidente da ARSLVT, Luís Pisco, anunciou na sexta-feira o alargamento dos horários, o que foi aplicado nos 15 Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES) da região, sendo que 35 centros de saúde o aplicaram entre segunda e sexta-feira, 47 no sábado e 37 no domingo.

A procura indica que tem havido bom acolhimento às medidas destinadas a descongestionar as urgências hospitalares", lê-se no comunicado da ARSLVT.

De acordo com os dados da Administração Regional de Saúde, os ACES com maior procura nos dias 06 e 07 de janeiro foram o da Arrábida, com um total de 621 atendimentos, do Oeste Sul, com 563 atendimentos, e o de Loures/Odivelas, com 449 atendimentos.

A ARSLVT indica que aos primeiros sintomas de gripe, como tosse, dores de cabeça, febre, mal-estar e dores musculares, deverá ser contactado o Centro de Contacto do Serviço Nacional de Saúde (SNS 24), através do número 808 24 24 24.

Em comunicado também divulgado hoje, o hospital Fernando Fonseca (Amadora-Sintra) anunciou que abriu mais 71 camas para responder "à necessidade crescente de doentes que precisam de internamento".

O serviço de urgência de adultos tem atendido cerca de 700 doentes por dia e a taxa de internamento é superior a 10%", acrescenta o gabinete de imprensa do hospital.

Médicos do Centro queixam-se de "medidas ineficazes"

Ainda assim, o Ministério da Saúde não é poupado a críticas. A Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM) lamentou  o que diz ser a falta de planeamento para enfrentar o surto da gripe, argumentando que a tutela propõe medidas ineficazes.

Sem falar com as equipas de cada centro de saúde e sem conhecer em detalhe a população mais vulnerável, de nada adiantará divulgar medidas desgarradas que já provaram ser completamente ineficazes”, afirma o presidente da SRCOM, Carlos Cortes, em comunicado enviado à agência Lusa.

Entre as medidas “avulsas” que considera ineficazes, Carlos Cortes destaca a abertura de centros de saúde “sem condições” aos fins de semana, para evitar o recurso da população às urgências hospitalares.

O resultado está à vista: o caos”, alega.

 

Estamos a administrar a solução dos problemas de forma pontual, sem contexto, nem planeamento. Com esta visão redutora, estamos a agravar as condições de funcionamento dos centros de saúde e a entupir os serviços de urgência dos hospitais. Nas urgências dos hospitais da Região Centro, o principal responsável do caos a que estamos a assistir não é a gripe. É a incapacidade do Ministério da Saúde em dar resposta necessária a este flagelo", acusa Carlos Cortes.

Na nota, o presidente da SRCOM alerta para a “sistemática escassez de recursos humanos e recurso técnicos da maioria dos centros de saúde da região Centro”, argumentando que a secção regional da Ordem não pode ficar indiferente a esses factos.

Esta não pode ser a resposta do Ministério da Saúde para fazer face à gripe. Há centros de saúde que nem têm forma de fazer nebulizações, a maioria nem oxímetros tem. Casos existem que nem injetáveis ou medicação mais simples possuem”, denuncia Carlos Cortes.

O responsável da SRCOM lamenta a “falta de planeamento” e “profunda incompetência” do ministério da Saúde para enfrentar o surto de gripe, acusando a tutela de utilizar a “mesma fórmula ineficiente” em vez de preparar “atempadamente” o momento em que os focos gripais se fazem sentir com maior intensidade.

Carlos Cortes defende, ao invés, a aposta numa “forte campanha de informação às populações durante o ano”, afirmando que a literacia em saúde “não pode ser apregoada só nos momentos de crise”.

Num estudo recente realizado em dezembro de 2017, Portugal foi considerado dos países da Europa com literacia em saúde inadequada mais frequente (72,9% da população)”, refere ainda a nota da secção regional do centro da Ordem dos Médicos.

Afirma também que o Serviço Nacional de Saúde “continua a resistir com a ajuda de profissionais empenhados e dedicados” e que não basta a tutela dizer que existe um plano de contingência nas unidades de saúde.

Trata-se de uma medida que denota falta de planeamento e desconhecimento dos motivos que leva ao aumento do fluxo de doentes aos hospitais", sustenta Carlos Cortes.