O Ministério da Saúde brasileiro selecionou 715 médicos formados fora do Brasil para trabalharem no Sistema Único de Saúde (SUS), a maioria portugueses, espanhóis e argentinos.

Os clínicos selecionados têm até segunda-feira, dia 12, para responderem, depois de na sexta ter sido divulgada a lista final dos candidatos e cidades para as quais foram destacados. Os contratos serão válidos por dois anos.

Dos 715 médicos selecionados, apenas 194 são brasileiros formados no estrangeiro, mas todos irão trabalhar na rede pública sem necessidade de realizarem o exame de equivalência, o Revalida.

Ao abrigo do programa Mais Médicos, que ainda está em debate no Congresso, o Governo liderado por Dilma Rousseff quer aumentar o número de profissionais nos municípios do interior e na periferia das grandes cidades.

Antes de poderem exercer, estes médicos terão três semanas de preparação no Brasil, o que deverá acontecer até setembro. Neste período terão aulas de português, uma vez que há candidatos de diferentes nacionalidades, estudarão o SUS e os procedimentos e medicamentos usados na saúde pública brasileira, e serão avaliados.

Cumprida esta fase, os médicos são destacados e cada um terá um supervisor de uma universidade federal, que fará visitas periódicas e estará à disposição via telefone ou Internet.

A contratação de médicos estrangeiros não é, contudo, um tema pacífico e já foi contestada por algumas entidades médicas, inclusive nos tribunais.

Também a Ordem dos Médicos de Portugal alertou para o trabalho de «escravatura» que espera estes profissionais no Brasil.