
O Sindicato de Médicos do Norte acusou o ministro da Saúde, Paulo Macedo, de cometer «tráfico de influências» a propósito da nomeação de novos diretores nos Centros de Saúde da Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte.
Em comunicado, o Sindicato de Médicos do Norte (SMN) diz que «nunca a promiscuidade e a apropriação dum serviço público pelo clientelismo partidário» foi tão longe. O sindicato está a referir-se às três primeiras nomeações de novos diretores dos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES) da ARS do Norte, publicadas em Diário da República no passado dia 08 de agosto.
«O despudor, a irresponsabilidade e os inequívocos sinais de tráfico de influências que agridem e minam o Estado de Direito bateram no fundo», acrescentam o sindicato, acusando os dirigentes de estarem a transformar «os serviços públicos pelos quais são transitoriamente responsáveis em agências dos seus próprios interesses e do seu grupo de influência», informa a agência Lusa.
«São indignos dos cargos que ocupam e da confiança que neles foi depositada para gerirem um património precioso que é de todos os cidadãos», lamenta o SMN, classificando de «escandalosa e leviana» as propostas do presidente da ARS do Norte, que dizem vir «quase exclusivamente de estruturas partidárias, de gente estranha ao setor, sem experiência, currículo e perfil para o cargo».
Em declarações à Lusa, fonte da ARS do Norte disse que «não têm mais nada a acrescentar» ao que já foi dito no passado. Há alguns dias, o presidente da ARS já havia dito que respeitava a «opinião institucional do Sindicato dos Médicos do Norte», mas que era certo que a «adequação da gestão dos Agrupamentos de Centros de Saúde à prestação dos cuidados de Saúde» era garantida pelos «Conselhos Clínicos de cada um, presididos obrigatoriamente por um médico e com vogais representantes das demais categorias de profissionais de saúde».