O Instituto de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF) registou, em 2015, 699 casos de violência entre namorados, mais cerca de 40% do que no ano anterior. O crescimento dos casos de violência no namoro é ainda mais significativo visto no âmbito da violência geral, onde são já cerca de 3% do total das peritagens no Instituto de Medicina Legal.

Em todo o país, os peritos médico-legais foram chamados a observar 699 casos de violência entre namorados, só no ano de 2015. Quando comparados com o ano anterior, quando começou a seriar-se essa estatística e em que foram observados 484 casos, salta à vista um explosivo aumento de mais de 44%.

 

Aumento do número de vítimas masculinas

 

A tendência de crescimento é ainda mais preocupante quando a violência no namoro é vista dentro dos casos de violência em geral, cujo total diminuiu em 2015 (23.752), face a 2014 (25. 427). Anteriormente representava 1,90% do geral. No ano passado passou a ser de 2,96%. Um aumento absoluto na ordem dos 55%.

Para o vice-presidente do INMLCF, esta tendência pode estar relacionada com “a crescente sensibilização para o problema, com maior atenção pública e dos médicos que leva a uma maior sinalização”. João Pinheiro diz, no entanto, que “essa maior atenção, no entanto, não explica tudo e será necessário que outros especialistas, que não os de Medicina Legal, expliquem um aumento tão significativo e encontrem formas de atuar para o evitar”.

Como acontecia já em 2014, as vítimas são maioritariamente mulheres, cerca de 87%. Uma anotação de referência é a de que aumentou ligeiramente, de 12 para 13%, o número de vítimas masculinas.

Quanto aos instrumentos de agressão, o INMLCF reportou mais casos de murros (211), bofetadas (167), apertões (152) e pontapés (140). Esganaduras (65) e agressão ou ameaça de agressão com facas (12) são igualmente referenciadas.

 

Vítimas aos 14 anos

 

A idade onde se registam mais casos de violência entre namorados situa-se no patamar 18-25 anos, com cerca de 40% das perícias desta área no INMLCF (276 registos), e entre os 31 e os 39 anos, com 20,9% dos casos (146 registos). Há também um número significativode casos de jovens entre os 14 e os 17 anos – 42 - e de vítimas com mais de 50 anos – 30 casos.

Quanto aos agressores, o estudo feito pelo vice-presidente do INMLCF e pelo coordenador do Gabinete Médico-Legal do Médio Tejo, César Santos, concluiu que, quer em 2014, quer em 2015, a violência é mais exercida não pelos atuais namorados, mas por aqueles que deixaram de o ser. Em 2015, em 52,9% dos casos, os autores foram identificados como “ex-namorados”.

 

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O estudo a que a TVI teve acesso em primeira mão vai ser apresentado num seminário aberto sobre “ A Violência no Namoro”, a realizar na Universidade de Coimbra, na próxima terça-feira.