O presidente do Instituto Nacional de Medicina Legal (INML), Duarte Nuno Vieira, disse esta terça-feira que algumas autópsias no seguimento da tragédia de Camarate tiveram «insuficiências» e «deficiências» difíceis de aceitar hoje em dia.

«Nada justifica que as autópsias tenham tido nalguns casos as insuficiências e deficiências que tiveram», disse Duarte Nuno Vieira no parlamento, onde está a ser ouvido esta manhã na X comissão de inquérito ao caso Camarate.

Um «evento daquela magnitude e relevância», que vitimou o então primeiro-ministro Sá Carneiro e o ministro da Defesa Nacional, Adelino Amaro da Costa, mereceria outro tipo de profundidade nas autópsias, assinalou o presidente do INML.

Duarte Nuno Vieira está a ser ouvido pelos deputados em conjunto com a médica especialista Rosa Henriques de Gouveia sobre as mortes de José Manuel Silva Moreira e companheira.

José Manuel Silva Moreira, que detinha um avião que foi usado ao serviço da campanha presidencial do general Soares Carneiro, era tido como uma testemunha decisiva na I comissão de Camarate e deveria ter sido ouvido no parlamento dias depois de ter morrido.

A morte do proprietário de aviões foi na altura tida como acidental, por via de uma falha de gás, com os médicos especialistas hoje ouvidos no parlamento a admitirem outros cenários para o óbito.

A X comissão de inquérito ao caso Camarate visa averiguar as «causas e circunstâncias em que, no dia 4 de dezembro de 1980, ocorreu a morte do primeiro-ministro, Francisco Sá Carneiro, do ministro da Defesa Nacional, Adelino Amaro da Costa, e dos seus acompanhantes».

O Fundo de Defesa Militar do Ultramar e o comércio e exportação de armamento são as duas principais linhas de investigação seguidas pela X comissão.

Uma anterior auditoria, às contas do gabinete do CEMGFA entre 1974 e 1980 detetou «diversas discrepâncias contabilísticas» e estabeleceu «ligações financeiras entre o gabinete e o FDMU, evidenciadas pelas transferências entre contas», lê-se no relatório da VIII comissão.